Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

‘Orem por mim’, diz general que assumirá Secretaria de Governo

Luiz Eduardo Ramos deixa o Comando Militar do Sudeste para ocupar ministério de Bolsonaro; presidente assistiu à transmissão de comando

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 13h29
Atualizado 03 de julho de 2019 | 19h21

“Orem por mim em Brasília.” O pedido foi repetido ontem várias vezes pelo novo ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. Ele caminhava ao lado de seu sucessor no Comando Militar do Sudeste (CMSE), o general Marco Antonio Amaro dos Santos, em direção ao carro de onde desembarcaria o vice-presidente, general Hamilton Mourão. Ramos rogou por preces aos convidados que foram assistir à cerimônia de transmissão de cargo dele para Amaro.

Ramos vai substituir no Planalto o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro. Em seu discurso de despedida, Ramos disse esperar não decepcionar os amigos que deixou em São Paulo. “Sei que sou um general impetuoso e agoniado, mas assim sou e não mudarei.”

Afirmou ainda sentir uma dor no peito ao deixar a farda “que permanecerá impregnada até a minha medula”. “E o coturno no armário com o sentimento de cumprimento do dever e o amor à Pátria. Jamais deixarei de ser soldado. Não importa a aparência externa e sim a essência. Sou combatente. Assim minha alma foi forjada nesses 46 anos de serviço”. 

O novo ministro também citou a Bíblia e disse que pede a Deus “a sabedoria de Salomão e a capacidade e articulação de José do Egito”. Disse ainda que se apresentará para a “honrosa missão imposta pelo senhor”. “Obrigado, presidente, por confiar em mim tarefa vital. Sob a sua liderança, alçaremos voos juntos e nos lançaremos nesse salto gigante rumo ao futuro mais promissor do Brasil.”

No palanque, encontro de paraquedistas

O ministro, o vice-presidente e Amaro – todos paraquedistas – se encontraram no palanque com outros três paraquedistas: o presidente Bolsonaro e os ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Augusto Heleno Ribeiro (Gabinete de Segurança Institucional). “Somos todos aves de mesma plumagem. Águias não voam com corujas. E o senhor é o Águia Uno”, disse Ramos, dirigindo-se a Bolsonaro, que brincou: “Vou transferir a sede da brigada Paraquedista para o Palácio”.

Pela primeira vez desde a redemocratização, um presidente da República assistiu à transmissão de comando no CMSE. Não só. Além de Bolsonaro, o vice-presidente e três ministros, estavam ali o comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior, o governador João Doria, o senador Major Olímpio (PSL-SP) e mais de uma dezena de deputados. Parecia mais a posse de um ministro, apesar de os generais presentes seguirem à risca a cartilha que manda separar o Exército – uma instituição permanente do Estado – do governo, que é transitório. Assim, o comandante do Sul, general Antônio Miotto, um dos cinco quatro estrelas presentes na cerimônia, reafirmou que não fala sobre política. Amaro, o novo comandante do Sudeste, um paulista nascido em Jaboticabal – mas registrado em Motuca, na região de Araraquara – fez o mesmo.

Quem é o novo comandante do Sudeste

Filho de um ferroviário, Amaro teve de emprestar livros para estudar para o exame da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, onde entrou em 1973. Ele foi contemporâneo de Academia Militar de Agulhas Negras (AMAN) de Bolsonaro – o general foi bicho do presidente – e serviu como chefe da Casa Militar no governo Dilma Rousseff, tarefa que disse ter cumprido como todas as demais missões que recebeu na carreira. “Tanto que fui designado para um dos mais relevantes comandos do Exército.”

Em São Paulo, terá a missão de levar adiante a criação do Colégio Militar de São Paulo, uma das meninas dos olhos de Bolsonaro. “As primeiras turmas devem começar no ano que vem”, disse Amaro. O colégio deve funcionar provisoriamente na sede da Curso Preparatório de Oficia da Reserva (CPOR), na zona norte, até ser construída a sede definitiva no Campo de Marte, na zona norte. /COLABOROU ANDRÉ ÍTALO ROCHA

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