Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Novo se alia a MBL e Podemos e cria bloco de direita em busca de mais espaço em SP

Vereadores devem obter vaga na Mesa Diretora da Câmara Municipal e assentos nas comissões temáticas do Legislativo paulistano

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

23 de dezembro de 2020 | 15h07

O partido Novo, os membros do Movimento Brasil Livre (MBL) eleitos pelo Patriota e o Podemos costuraram uma aliança na Câmara Municipal de São Paulo para a criação de um bloco único de direita e, assim, obter mais espaço nas comissões temáticas da casa e uma vaga fixa na Mesa Diretora do Legislativo paulistano. A frente de direita terá oito vereadores, o mesmo número de parlamentares dos maiores partidos da Casa (PT e PSDB).

As negociações se deram em termos que garantissem ao Podemos a liberdade para permanecer como um partido governista - a legenda pleiteia cargos na administração Bruno Covas (PSDB) e fez parte da coligação de dez partidos que reelegeu o prefeito. 

O Novo, que chegou a declarar apoio a Covas no segundo turno, e o Patriota, que se limitou a declarar voto contrário ao adversário do tucano (Guilherme Boulos, do PSOL), devem ficar fora do governo e há expectativa, entre os vereadores, de que façam uma oposição à direita a Covas, que se declara um político de centro. 

É a primeira vez que um bloco abertamente à direita é constituído na Câmara para atuar em conjunto. Com os oito assentos, o bloco deve indicar Fernando Holiday (Patriota) para ocupar a segunda secretaria da Mesa Diretora, que tem atribuição de zelar pela parte administrativa da Casa (como licitações e a administração do Palácio Anchieta, sede da Câmara). 

Sem a costura, Novo (com dois vereadores), Patriota (com três) e Podemos (com três) teriam assento garantido apenas no Colégio de Líderes, órgão que faz uma reunião semanal apenas para discutir a pauta das votações. Como bloco unido, eles têm representatividade para indicar integrantes para as comissões de Constituição e Justiça e Finanças, as mais importantes, além das cinco comissões parlamentares de inquérito (CPIs) que podem ser mantidas ao longo de cada ano. 

A costura está sendo feita de forma a evitar que os eleitores desses partidos vejam no movimento uma cessão dos vereadores a negociatas em busca de cargos. “Nós construímos um diálogo republicano”, disse a vereadora reeleita Janaína Lima (Novo). “Baseado nos valores inegociáveis do Novo, conseguimos fechar uma proposta que foi favorável ao momento aqui da casa a fim de consolidar espaços, para que esses três partidos possam garantir relevância na discussão de importantes temas da cidade”, complementou. 

No caso do Patriota, os integrantes do MBL tiveram conversas para selar a aliança com o presidente estadual do Podemos, Gabriel Melo, após tratativas com o vereador Milton Ferreira, reeleito. A legenda, que foi composta nesta legislatura por Ferreira e Mário Covas Neto, tio do prefeito Covas, aumentou para três membros, mas Covas não foi reeleito. A reportagem tentou contato com Ferreira, mas não o localizou. 

Fernando Holiday, que foi o quinto vereador mais votado neste ano, afirma que seu nome ainda não está sacramentado para a segunda secretaria e que outro membro do partido, Marlon do Uber, pode ficar com a vaga. “Ainda estamos conversando.” Ele afirmou que, como bloco, o grupo terá mais espaço para alterar os projetos em discussão, indo ao encontro da defesa da aliança feita por Janaína.  

A bancada deve se concentrar em tentar influenciar nas discussões de projetos como a revisão do Plano Diretor programada para 2021, as desestatizações e um plano plurianual para a capital.

A conversa para a criação do bloco chegou a envolver o vereador Rinaldi Digilio (PSL), mas a inclusão do parlamentar não prosperou, segundo os demais ouvidos. Houve negociação também com integrantes do Solidariedade.

Mesa Diretora

A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal é o primeiro compromisso dos vereadores paulistanos no dia 1º de janeiro, após eles assumirem os mandatos. O atual presidente da mesa, vereador Milton Leite (DEM), deve ser reconduzido ao cargo. 

Leite é um dos principais aliados do prefeito Bruno Covas e está participando das negociações para a escolha do novo secretariado do prefeito. A vice-presidência deve ser ocupada por um indicado tucano, ainda a ser definido. É a presidência da mesa que tem o poder político na Câmara, com a atribuição de determinar a pauta das sessões de votação e escolher qual projeto será colocado ou não em votação.

A primeira secretaria, que é responsável pela administração da Casa, deverá ser ocupada pelo PT, legenda que rivaliza em tamanho com o PSDB (ambas têm oito vereadores). As conversas internas na legenda apontam para a indicação ou da vereadora Juliana Cardoso ou do vereador Alessandro Guedes. Holiday, ou outro indicado do novo bloco, atuará em substituição ao ocupante deste posto.

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