Novo retrato do Papa Pio XII: um anti-nazista

Um homem elegante, inteligente e frio, carregando a pecha histórica de anti-semitismo: há anos, o Papa Pio XII vem sendo acusado, por alguns historiadores e líderes judeus, de ter feito vistas grossas ao Holocausto. Agora, entretanto, um jesuíta está disposto a provocar uma revisão desse retrato escuro, num momento altamente propício ? o Vaticano está considerando sua possível beatificação.O jesuíta é um americano e historiador, Charles R. Gallagher, que se baseou em novos documentos revelando que o papa expressou, em conversas privadas, enérgicas convicções contra o nazismo, para transformá-lo num anti-nazista convicto em um artigo publicado na edição de setembro do semanário jesuíta América.Na revista, ele cita um informe achado recentemente entre os papéis diplomáticos de Joseph P. Kennedy, que foi embaixador dos Estados Unidos na Inglaterra em 1938 a 1940. Segundo Gallagher, em abril de 1938 o embaixador reuniu-se em Roma com o cardeal Eugênio Pacelli, que só se tornaria Pio XII no ano seguinte e que era, na época, secretário de Estado do Vaticano. Ele entregou a Kennedy um documento em que denunciava o nazismo ?por atacar o princípio fundamental da liberdade religiosa?, segundo Gallagher.Pacellli também disse a Kennedy que a Igreja sentia-se ?impotente e isolada?, em certas ocasiões, em sua luta diária contra todos os tipos de excessos políticos, desde os comunistas aos do novos pagãos que surgiam das ?gerações arianas?. Ele assegurou ao embaixador que qualquer compromisso político com os nazistas estava ?totalmente descartado?.Gallagher garante que o papa reservava suas denúncias a encontros privados por que seguia ?velhas regras de conduta diplomática?. Mas o jesuíta não explora o porquê de o papa ter-se abstido de expressar seu sentimento anti-nazista depois de ver-se livre das tais restrições diplomáticas.O documento citado pelo jesuíta está junto com o memorando das reuniões entre o cardeal e o embaixador, enviado à Casa Branca e posto à disposição do público há três anos, na Biblioteca Jphn Fizgerald, em Boston.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.