Novo relatório da Satiagraha é técnico e profundo, diz Tarso

Ministro da Justiça negou a existência de divisão na PF, sugeridas por divergências na reunião de delegados

Sandra Hahn, da Agência Estado

21 de novembro de 2008 | 17h05

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta sexta-feira, 21, que o novo relatório elaborado sobre as investigações da Operação Satiagraha é "técnico e mais profundo". Questionado sobre se este texto corrigiria o anterior, o ministro respondeu que não lhe cabe fazer este tipo de avaliação. "O que eu disse para vocês (imprensa) a respeito desse relatório é que seria técnico, que seria mais profundo, que seria desapaixonado e não-midiático e assim o foi", avaliou.     Veja também: As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual Gravação mostra clima tenso entre delegados da Satiagraha Polícia Federal pretende pedir prisão de Dantas novamente Juiz De Sanctis recusa promoção e fica no caso Dantas As prisões de Daniel Dantas  Os alvos da Operação Satiagraha    Sobre as questões técnicas e jurídicas do relatório, Tarso afirmou que cabe à Justiça se manifestar. O novo relatório afirma que a polícia percebeu, no transcorrer da investigação, que "a organização criminosa liderada por Daniel Dantas faz uso de corrupção e intimidação para alcançar seus objetivos", atribuindo ao banqueiro do Opportunity crimes "contra a ordem tributária, contra o sistema financeiro, crime de lavagem de capitais e formação de quadrilha".   Ao comentar a divulgação da gravação que registrou reunião da Polícia Federal sobre a Satiagraha, Tarso disse que a CPI dos Grampos "se apropriou do documento legalmente e resolveu divulgar". Cópia da gravação foi requisitada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que integra a CPI. O ministro disse que a PF não tem nada a esconder, a não ser nos casos em que a divulgação possa favorecer "um marginal ou corrupto" que está sendo caçado pelo órgão.     Tarso negou a existência de divisão na PF, sugeridas por divergências na reunião. "Isso é um mito que vocês estão criando", considerou. "O que existe é um inquérito que está avaliando um trabalho feito por uma determinada pessoa", acrescentou, referindo-se ao delegado Protógenes Queiroz, que comandou a operação e depois foi afastado do caso. "Onde está o racha?", indagou. "Onde está a mobilização de pessoas da Polícia Federal contra a direção?", prosseguiu, citando, como exemplo, que ontem o corregedor da corporação foi indicado por unanimidade em reunião entre os superintendentes do País.   O ministro disse que agora existe maior controle sobre as ações da PF, o que começou com seu antecessor, Márcio Thomaz Bastos, e que agora atinge seu melhor desempenho, segundo ele. "Isso é um racha midiático", repetiu, dizendo que este é um "direito de ser divulgado". O maior controle começou quando "alguém, que está sendo investigado (Protógenes), favoreceu uma empresa de comunicação alertando a ela que uma operação daquela magnitude ia ser feita".   Tarso lembrou que, quando assumiu, proibiu este tipo de divulgação. "Houve uma ação, que foi adiantada por alguém, que violou o compromisso com a instituição", afirmou. Com isso, começou um processo de controle mais intenso da Corregedoria, que tem sido interpretado como "racha" na PF, mas que irá continuar, acrescentou Tarso, após participar de reunião de ministros da Justiça do Mercosul e países associados.   No decorrer da investigação, o ministro disse que apareceram relações não formais entre pessoas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e outras da PF. "Nós vamos investigar como se deram estas relações", comentou. Questionado sobre o motivo de gravar a reunião da PF, Tarso disse que foi resultado de um acordo entre os participantes, pois Protógenes tinha divulgado à imprensa não ter confiança em seus superiores. O ministro elogiou a conduta da direção da PF na reunião, que considerou "isenta" e "técnica".

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