Novo relatório da Satiagraha é 'reprodução', diz Protógenes

Delegado afastado da operação elogiou novo inquérito que, segundo ele, ratifica o trabalho sob seu comando

Anne Warth, da Agência Estado,

01 de dezembro de 2008 | 20h30

Mentor da Operação Satiagraha, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz disse nesta segunda-feira, 1º, que o novo pedido de prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas feito pelo delegado Ricardo Saadi, que coordena as investigações atualmente, corrobora e ratifica seu trabalho. Ele elogiou Saadi e afirmou que o posicionamento do delegado não surpreende, uma vez que o segundo relatório da Satiagraha, na sua análise, é uma "reprodução" dos dados coletados anteriormente.  Veja também:Partidarização do servidor é 'perigosa', diz Mendes Entenda o escândalo que derrubou a cúpula da Abin As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual As prisões de Daniel Dantas Os alvos da Operação Satiagraha   "Eu entendo que o trabalho feito por essa equipe que me sucedeu é de uma equipe valorosa e com capacidade técnica acima da média dos policiais federais. O doutor Saadi é um jovem delegado da Polícia Federal que tem dado uma satisfação muito grande à sociedade, que honra o nome da PF, e não foi surpresa que ele se posicionasse dessa forma, até porque todo o posicionamento dele originariamente vem da minha coleta de dados na fase anterior. Então, é a reprodução do que já foi coletado anteriormente. Basta os senhores verem o segundo relatório para confirmar", disse, antes de participar de palestra sobre corrupção na Assembléia Legislativa de São Paulo. "A maior resposta é o próprio segundo relatório, que espelha o meu relatório. Não só corrobora, como ratifica toda a coleta de dados feita anteriormente, inclusive até colocando ali o tráfico de influência de alguns expoentes dentro do próprio cenário da República", afirmou Protógenes. O delegado voltou a chamar o sócio fundador do grupo Opportunity, Daniel Dantas, de "bandido". Protógenes atribui sua saída da investigação à atuação de uma "força" em vários setores do País. "Não dá para identificar essa força, mas o poder está identificado. Há vários colaboradores do bandido Daniel Dantas. Há uma tentativa de produzir provas para o bandido Daniel Dantas por meio de investigações. E isso, durante todo o processo, está sendo revelado", declarou. Apoios Protógenes refutou as acusações de que tenha uma postura partidarizada, conforme disse o superintendente da PF, Luiz Fernando Correa. Apesar de ter participado de vários atos promovidos pelo PSOL nas últimas semanas, ele insistiu que os exemplos contam com a presença de políticos de outros partidos. Recentemente, o delegado recebeu manifestações de apoio dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Romeu Tuma (PTB-SP), Pedro Simon (PMDB-RS) e Wellington Salgado (PMDB-MG). "Não tenho compromisso político partidário com nenhum deles", disse.  Questionado se tinha intenção de seguir carreira política, afastou essa possibilidade. "Sinceramente, não. Entrar na política seria a última coisa que eu pensaria", disse. Protógenes avalia que as manifestações de políticos em seu apoio traduzem um sentimento de indignação da sociedade contra a corrupção, "em um nível nacional incontido". "Este servidor não vai se furtar ou obstar a presença de nenhum político". Combate à corrupção O delegado disse não se ver como símbolo do combate à corrupção no País. "Eu não me considero símbolo, mas um profissional e um servidor público que exerce suas atribuições e que honra o dinheiro do contribuinte. Quem me paga é o povo brasileiro. Sou funcionário do departamento de Polícia Federal, mas o dinheiro vem do contribuinte." Protógenes disse não ter se surpreendido ao receber a notícia de seu afastamento das investigações da Operação Satiagraha e do Departamento de Inteligência da PF. "O que foi surpresa foi a exposição da minha família", protestou. Ele disse que essa foi uma das formas de constrangimento e intimidação mais baixas que já viu. "Por vontade familiar, até não voltaria", comentou, quando questionado sobre seu futuro na PF. O delegado elogiou também o juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martin de Sanctis, responsável pelo julgamento de Daniel Dantas pelo crime de corrupção ativa. "O doutor Fausto é um juiz que tem demonstrado ao longo dos anos ser 'o juiz'. É a melhor frase que eu tenho para dar e conceituar o doutor Fausto. Acredito em sua capacidade técnica. E ele tem uma forte nível de isenção. Acredito que ele vai saber apreciar o que eu coletei, o que o Ministério Público Federal denunciou e o que foi instrumentalizado durante a ação penal. Ele saberá dar uma decisão de muita imparcialidade e isenção", afirmou.

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