Novo relatório da Satiagraha é 'desapaixonado', diz Tarso

Ministro evitou responder diretamente se, com o novo relatório, haverá ou não impunidade de Daniel Dantas

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

13 de novembro de 2008 | 12h15

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta quinta-feira, 13, que o novo relatório sobre a Operação Satiagraha , entregue à Justiça e ao Ministério Público pela Polícia Federal (PF), foi elaborado "sem espetaculosidade". Embora admitindo que ainda não leu o documento, Genro declarou: "Posso dizer que é desapaixonado, tecnicamente bem feito e sem qualquer postura persecutória." Em entrevista coletiva após abrir, em um hotel de Brasília, um seminário sobre cooperação jurídica internacional, o ministro da Justiça afirmou ainda que todas as provas contidas no relatório foram obtidas dentro da lei, e agora o documento será avaliado pelo Judiciário e pelo Ministério Público Federal. O conteúdo do novo relatório foi antecipado pelo jornal O Estado de S. Paulo na ediçãod esta quinta. Veja também:Presidente da CPI dos Grampos quer prorrogar trabalhos Especial explica a Operação Satiagraha Multimídia: As prisões de Daniel Dantas Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Tarso evitou, na entrevista, responder diretamente se, com o novo relatório, haverá ou não impunidade do sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, investigado na Operação Satiagraha, que buscou desbaratar esquema de acusação de corrupção, crimes financeiros, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. "É uma questão concreta que está em andamento, e a investigação está sendo reconstituída", disse o ministro da Justiça. Referindo-se ao caso do banqueiro Salvatore Cacciola, cuja condenação a 13 anos de prisão por crime contra o sistema financeiro foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, Genro afirmou que "no Brasil não existe mais impunidade."O novo relatório é o segundo produzido pela Polícia Federal sobre a Operação Satiagraha, na qual foram presos Dantas, o ex-prefeito paulistano Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Os três foram depois soltos por habeas-corpus do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. A iniciativa de fazer um segundo relatório foi tomada pela PF porque, no primeiro, foram encontrados trechos considerados inconsistentes e resultantes de vícios de investigação. O primeiro documento foi elaborado pelo delegado federal Protógenes Queiroz, que comandou a operação e atualmente responde a inquérito sobre suposto vazamento de informações da investigação à imprensa e outras irregularidades.

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