Novo relator, Peres promete parecer contra Renan até dia 2

O senador do PDT foi designado pelo presidente do conselho; ele é um dos mais firmes opositores de Renan

Reuters

10 de outubro de 2007 | 13h26

O senador Jefferson Peres (PDT-AM), que  será o relator da terceira representação contra Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética,  anunciou que planeja apresentar seu parecer até o dia 2 de novembro, "mesmo que seja dia de Finados", e prometeu isenção, mesmo com sua posição favorável à saída de Renan da presidência do Senado. Neste processo, Renan é acusado de ter utilizado "laranjas" para a compra de duas emissoras de rádio e uma de TV em Alagoas.   Veja também:     Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Fora, Renan! no Congresso prevê abaixo-assinado e protestos   "Vai ser um parecer técnico, embora eu já tenha pedido politicamente o afastamento do senador Renan da presidência", afirmou Peres a jornalistas. "São coisas diferentes. A minha posição como senador é uma, e como relator é outra."     O senador pedetista não descarta a possibilidade de chamar para depor o usineiro João Lira, desafeto de Renan e responsável pela denúncia que levou à representação.     Embora comprometido a ter seu parecer pronto até 2 de novembro, prazo em que a oposição promete obstruir todas as votações no Senado caso Renan não se afaste da presidência, Peres ainda conversará com o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP) para se inteirar das investigações já feitas.     "Só posso começar nas oitivas quando receber todas as informações da corregedoria do Senado", disse Peres.       Outros processos   A segunda representação contra Renan, no Conselho de Ética, que trata de suposto beneficiamento à cervejaria Schincariol, tem como relator o senador João Pedro (PT-AM).   A quarta representação, sobre um esquema de arrecadação de dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB, será relatada pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), fiel aliado de Renan.   O presidente do Congresso ainda pode responder a um quinto processo, que já está na Mesa do Senado, mas ainda não foi encaminhado para o Conselho de Ética.   Ele trata da denúncia de que Renan estaria por trás de um esquema de espionagem dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).   Divisor de águas   O entendimento do Senado é de que o governo não apoiará mais Renan, sobretudo pelo risco que ele passou a representar à aprovação da CPMF.   Segundo a senadora petista Ideli Salvatti (SC), tida como uma da últimas defensoras do senador no partido, a sessão de terça-feira deixou um recado claro, que "só não entende quem não quer".   "A sessão foi um divisor de águas, emblemática. Com pequenas diferenças de tom, todos os senadores que se manifestaram, de praticamente todos os partidos, pediram a saída do senador Renan", afirmou Ideli.   O senador Demóstenes Torres confirmou o acordo da oposição para trancar a pauta se o caso Renan não se resolver até o início de novembro.   "O senador Renan tem de sair ou a partir do dia 2 de novembro a oposição se recusa a votar o que quer que seja sob a batuta do atual presidente do Congresso". frisou Demóstenes.

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