Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Novo' na política é 'falar a verdade', diz Alckmin

Governador descartou deixar PSDB para concorrer à Presidência; em entrevista exclusiva ao 'Estado', Doria admitiu que pode deixar sigla

André Ítalo Rocha e Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2017 | 14h37

Em disputa com o prefeito João Doria para ser o candidato do PDSB na eleição presidencial de 2018, o governador Geraldo Alckmin criticou nesta segunda-feira, 4, quem defende a ideia de que o novo na política é ser jovem ou ter pouca experiência em cargos políticos.

"O novo é idade? 30, 50, 70 anos? Eu acho o FHC (Fernando Henrique Cardoso) novo, e ele tem um pouco mais que isso. Novo é nunca ter sido candidato, ter experiência pública ou mandato? O novo é, primeiro, falar a verdade, olhar nos olhos e as pessoas acreditarem e, segundo, defender o interesse coletivo, que é órfão no Brasil todo dia", disse, ao participar de evento da revista Exame, na capital paulista.

Alckmin reiterou que quer ser candidato à Presidência da República, mas disse que isso não depende dele, mas do partido. "Eu me preparo permanentemente", disse o governador. 

Em entrevista exclusiva ao EstadoDoria admitiu, em Paris, que pode deixar o PSDB, mas negou disputar prévias com Alckmin. Na rápida passagem do prefeito pela capital francesa, a agenda oficial do tucano anunciara que ele teria um almoço reservado no sábado, 2, com o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, que não estava na cidade. A informação sobre o encontro bilateral foi enviada aos jornalistas brasileiros antes da chegada de Doria na cidade e confirmada na noite de sexta-feira, 1, mas em nenhum momento constou da agenda oficial do líder francês.

O governador afirmou também que, se for presidente, pretende apresentar, logo de cara, reformas da Previdência e tributária, deixando claro que o principal problema do País é fiscal. "Governo não é pra ser executor, mas sim regulador e fiscalizador", disse.

Ele criticou a decisão do governo em dar aumento de salário a servidores com quatro anos de antecedência. "É inacreditável isso em país com rombo fiscal", afirmou. "Quando a dívida passar dos 80% (do PIB), temos um problemão", declarou. Em relação ao câmbio, disse que sua preocupação é não deixar a moeda sobrevalorizar.

Citou, inclusive, quais são os economistas com quem tem conversado para discutir a situação do País: Armínio Fraga, Eduardo Giannetti da Fonseca, José Roberto Mendonça de Barros, Pérsio Arida, Monica de Bolle e até o senador paulista José Serra (PSDB). Evitou, no entanto, dizer quais seriam os seus ministros. "Isso dá um azar danado". 

PRÉVIAS

O governador voltou a defender a realização de prévias para a escolha do candidato tucano nas eleições presidenciais do ano que vem e descartou deixar a sigla para participar da corrida pelo Palácio do Planalto caso não receba a indicação de seu partido. "Sou a sétima assinatura na fundação do partido (PSDB). Não mudei de partido, eu fundei um partido. Nós criamos um partido novo para fazer a diferença", respondeu Alckmin ao ser questionado se poderia sair do PSDB para disputar o pleito.

O governador reiterou hoje o interesse em lançar candidatura à Presidência da República no ano que vem e chegou a citar, durante o fórum, quais seriam suas prioridades no cargo.

Em entrevista dada a jornalistas após sua participação no evento, Alckmin declarou que quando o partido tem mais de um candidato, as prévias partidárias representam a "maneira democrática" de escolher quem vai concorrer. "Esse é o bom caminho, mas não é agora, isso é mais para frente, no devido tempo".

O governador também foi questionado sobre as declarações do prefeito de que o povo é que deve definir quem será candidato tucano. Cotado para disputar a Presidência em 2018, Doria rechaçou participar de prévias contra Alckmin e não descartou na entrevista ao Estado a possibilidade de trocar de partido para disputar o cargo. "Não vejo nenhum problema. O João é uma pessoa muito querida e vamos trabalhar juntos", disse o governador.

Questionado sobre se poderia enfrentar o prefeito de São Paulo em outro partido, Alckmin disse não acreditar na possibilidade de Doria deixar o PSDB. "Não posso falar por outra pessoa, mas acho que o João não sai do PSDB. Ele foi eleito pelo PSDB, tem compromisso com o PSDB", disse o governador. "É apenas uma crença pessoal", acrescentou.

No momento em que partidos como DEM e PMDB abrem as portas para o lançamento da candidatura de Doria, Alckmin aproveitou ainda para destacar a importância de alianças do PSDB com outras siglas. "Com quem a gente faz alianças? Com partidos que não tenham candidatos no primeiro turno e tenham proximidade programática".

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.