Novo ministro do Turismo já fez piada com PMDB em programa de TV

Ao CQC, Vieira chamou sigla de ‘traíra’ e disse que ‘todo mundo manda e ninguém obedece’

Eugênia Lopes e Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2011 | 00h07

BRASÍLIA - Maranhense de São Luís, 65 anos, o novo ministro, o advogado Gastão Dias Vieira, é um dos veteranos do Congresso: está em seu quinto mandato como deputado federal. Ligado ao presidente do Senado, José Sarney, já foi secretário do Planejamento e da Educação no governo maranhense.

 

Quando assumiu a Secretaria de Planejamento maranhense, na gestão Roseana Sarney, Vieira, segundo o site Transparência Brasil, continuou a usar seu apartamento funcional na Câmara. Segundo ele, o uso tinha sido autorizado "em caráter excepcional". Ali viviam suas duas filhas.

 

Outra de suas iniciativas foi empregar uma delas como funcionária comissionada da Câmara. Ela ficou no cargo até ser exonerada - quando o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a prática de nepotismo.

 

Ligado ao mundo da comunicação, Vieira costuma comentar no Twitter suas atividades políticas. Em entrevista há tempos, ao programa CQC, da Band, plantou uma frase polêmica sobre seu partido: "No PMDB todo mundo manda, ninguém obedece e cada um fez o que quer." Na mesma atração, ele disse que o partido era "traíra".

 

Outros nomes. Antes de bater o martelo em seu nome, o PMDB ofereceu ao Planalto uma lista de nomes - mas eles esbarraram em problemas passados. Prefeito três vezes da pequena Pedras de Fogo, a 45 quilômetros de João Pessoa, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB) teve o nome citado por uma testemunha durante a CPI do Extermínio da Câmara. Manoel teria sido o suposto mandante de um assassinato. "Tenho toda a minha vida limpa. Não tenho nenhuma mácula na minha conduta de cidadão", garantiu. Seu nome teria aparecido no texto, alegou, porque o relator da comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB), é seu inimigo político. "Ele ( Couto) é uma pessoa que me faz oposição. Mas não há nenhuma prova contra mim no relatório"

 

Outro nome defendido pela bancada foi o do deputado Marcelo Castro (PI), o preferido do líder do partido, Henrique Alves (RN). Citado na Operação Voucher, da Polícia Federal, como autor de emendas suspeitas para o turismo, ele frequentou o noticiário do escândalo do Ministério dos Transportes, por ser irmão dos donos da construtora Jurema, alvo de pelo menos 15 investigações, entre auditorias do Tribunal de Contas da União (10), ações de improbidade do Ministério Público (3) e inquéritos da PF (2).

 

Só o TCU relaciona dez obras da Jurema com problemas de 2003 a 2011, quando os dois ministérios entraram na mira da faxina de Dilma Rousseff. As obras somam mais de R$ 100 milhões e os recursos desviados podem passar de R$ 20 milhões.

 

Castro negou tráfico de influência e defendeu os irmãos e a construtora da acusação de irregularidades. "A empresa atua no ramo há 30 anos e até hoje não sofreu sequer uma condenação", disse.

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