Novo ministro do Trabalho se esforçará para unir o PDT

O novo ministro do Trabalho, o pedetista Manoel Dias, declarou, na noite desta sexta-feira, em entrevista no Palácio do Planalto, após ser confirmado no cargo pela presidente Dilma Rousseff, que vai "trabalhar para unir o partido", cuja direção não aceitava Brizola Neto no comando da Pasta.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

15 de março de 2013 | 21h36

Manoel Dias, entretanto, não quis se comprometer e anunciar desde já apoio à reeleição de Dilma. "É muito cedo para falar em 2014", afirmou. "E nem a presidente está cobrando isso", acrescentou, ao explicar que "o apoio do partido (à reeleição de Dilma) é uma construção". Questionado se o apoio ao PSB de Eduardo Campos estava descartado com o seu ingresso no ministério, Manoel Dias respondeu: "não temos posição ainda".

Depois de assegurar que não é candidato a qualquer cargo no ano que vem, Manoel Dias não quis afirmar que vai deixar a secretaria geral do PDT, como é exigido pelo Código de Conduta da alta administração federal. O ex-ministro Carlos Luppi acabou deixando o cargo exatamente por recomendação da comissão de ética que o condenou por se manter à frente da presidência do partido. "Poderei fazê-lo do ponto de vista legal, mas não sai da minha alma e do meu espírito o meu compromisso ideológico, partidário na construção de uma ferramenta política a serviço da democracia e do Brasil", acentuou ele, cujo nome ainda integra a chapa que concorrerá na convenção do partido na próxima sexta-feira (22).

Manoel Dias observou desejar que a sua passagem pelo ministério "sirva de exemplo" e que a sua missão será a de fortalecer os órgãos fins da Pasta e "zelar pelo bem público". Perguntado se não temia deixar o cargo "ali na frente", como Carlos Lupi e Brizola Neto, que o antecederam (o primeiro por acusação de irregularidade, e o segundo por acusação de ineficiência), o novo ministro avisou que "não deixará o governo se não for por vontade da presidente Dilma". E acrescentou: "não tenho mais idade para fazer bobagem. Já fui preso político, cassado etc. Por isso, quero que a minha passagem sirva de exemplo para todos."

Quanto à relação com Brizola Neto, que representa uma ala distinta da direção do PDT, Manoel Dias tentou amenizar, dizendo que "não existe briga". "Temos de trabalhar pelo entendimento." O novo ministro também evitou polemizar sobre o retorno de Carlos Araújo, ex-marido de Dilma que está tentando voltar ao PDT, contra a direção do partido. "Temos de buscar o entendimento", insistiu.

Sobre votações no Congresso, o novo ministro não quis garantir que o partido votará unido com o governo daqui pra frente. "A minha entrada implica sermos solidários e apoiar o governo", afirmou, ressalvando que, em alguns pontos, o partido tem orientações próprias.

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