Novo ministro da Justiça rebate crítica de Mendes

Após cerimônia de posse, Luiz Paulo Barreto afirma que 'nenhuma crítica vai frear a ação da Polícia Federal'

Rafael Moraes Moura, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2010 | 18h02

O novo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou nesta quarta-feira, 10, que eventuais críticas à atuação da Polícia Federal não vão impedir nem frear o trabalho do órgão. A declaração veio um dia após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, declarar que a corte barrou o "Estado policial" e o "quadro de terror" no País, quando "a polícia dizia o que o juiz e o promotor deviam fazer".

 

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Ex-secretário executivo da pasta, Barreto substituiu nesta quarta-feira Tarso Genro (PT), que deixou a pasta para disputar o governo gaúcho. "Se em algum momento a Polícia Federal cometer abusos, vamos responsabilizar as pessoas que cometeram esse abuso. Mas nenhuma crítica vai frear a ação da PF, que vai continuar como uma polícia forte, republicana, que defende o Brasil e os brasileiros", afirmou Barreto, após a cerimônia de transmissão de cargo.

 

O presidente do STF havia dito, no lançamento do Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo, que os abusos da PF se estenderam até 2007. "Todos estávamos amedrontados", frisou. "Quando o magistrado resistia a esse tipo de ameaça, era atacado. Às vezes, a Polícia Federal prendia até 100 pessoas numa dessas operações espetaculares e muitas nem sequer responderiam a um processo à frente."

 

Para o novo ministro, todas as denúncias são investigadas de maneira justa. "Temos um Ministério Público atuante, as instituições funcionando no Brasil. A polícia faz seu trabalho, o Ministério Público faz seu trabalho, enfim, há um total funcionamento dessas instituições, o que permite ao Brasil ter uma certeza de que tudo será julgado de maneira justa. Eu acho que esse é o ponto", disse.

 

Barreto - de 46 anos, casado e pai de dois filhos - preferiu não fazer comentários sobre a situação política do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), alvo de investigação da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.

 

"O que eu acompanhei desse caso, mesmo no ministério, foi muito o que a gente conseguiu acompanhar pela mídia. Eu preciso efetivamente não fazer prejulgamentos, não avaliar essa questão antes de conhecer o inquérito que está na mão da Polícia Federal e, enfim, poder, com mais precisão, me posicionar a respeito disso", respondeu Barreto, que entrou no Ministério da Justiça aos 19 anos, por meio de um concurso público.

 

Indagado sobre a questão da segurança pública brasileira, o novo ministro da Justiça defendeu um tripé que envolva o Poder Judiciário, a polícia e o sistema prisional.

 

"O Brasil desenvolveu muito o sistema de polícia, seus sistemas judiciais, mas o sistema penitenciário não seguiu esse investimento", avaliou. "Hoje, nós temos um sistema de Justiça que funciona bem, um sistema de polícia cada vez mais preparado e um sistema penitenciário em destroços. Nós precisamos reerguer esse sistema."

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