Novo ministro da Justiça promete reestruturar polícias

O governo vai rever os projetos de proibição de vendas de armas e da reestruturação das polícias que hoje se encontram no Congresso. O anúncio foi feito hoje pelo novo ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, que pretende colocar como prioridade nos cinco meses em que ficará à frente da pasta, a aprovação da legislação sobre armamentos e os Códigos Penal e de Execuções Penais.O ministro não detalhou os pontos que acha desnecessário dentro do projeto das armas, mas ressaltou que irá conversar com os líderes partidários para rever a proposta, assim como da Lei Orgânica das polícias. "São centenas de emendas que foram feitas aos projetos. É preciso enxugá-las e por isso vamos tentar convencer o Congresso a fazer isso", afirmou Aloysio Nunes, assegurando que vai deixar o ministério em abril, mas possibilitará a abertura, até 2003, de 27 mil novas vagas no sistema penitenciário.O novo ministro também se voltará ao Plano Nacional de Segurança Pública, considerado dentro do governo uma das prioridades para o último ano de administração do presidente Fernando Henrique Cardoso.Sem se certificar ainda do andamento do programa, que está avançado em algumas regiões e praticamente sem execução em outros, o novo ministro da Justiça afirmou que irá se empenhar para conseguir mais recursos. Será justamente a falta de recursos, ou contigenciamento de verbas pela equipe econômica, uma das principais barreiras que Aloysio Nunes enfrentará. A própria Polícia Federal, considerada carro-chefe da pasta, recebeu apenas a metade dos R$ 145 milhões do orçamento, requisitado ainda em junho deste ano à Secretaria do Tesouro. "Existe a restrição fiscal e, infelizmente, a PF está cada dia mais cara, em função de ser muito solicitada", disse.Aloysio Nunes pretende seguir a mesma linha de trabalho de seu antecessor, o ex-ministro José Gregori, nomeado para a embaixada do Brasil em Portugal. Os dois são amigos desde 1966, quando militavam no Movimento Justiça e Paz, em São Paulo. "Por isso, o ministério será o da cidadania", disse o novo ministro da posse, considerando "a maior obra do presidente Fernando Henrique Cardoso", a transformação da pasta em defesa dos direitos do cidadão.

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