Casa Civil/Presidência da República
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Quem é o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub?

Economista que assume o Ministério da Educação diz que é necessário vencer o 'marxismo cultural no ambiente universitário'

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 14h59
Atualizado 11 de abril de 2019 | 16h13

Correções: 08/04/2019 | 19h29

BRASÍLIA – Indicado nesta segunda-feira, 8, para assumir o ministério da Educação após a demissão de Ricardo Vélez Rodríguez, o economista Abraham Weintraub também é seguidor das teorias do escritor Olavo de Carvalho. Ele defende que é preciso vencer o chamado marxismo cultural das universidades a partir dos ensinamentos do guru do bolsonarismo. Weintraub disse, no entanto, que não segue ‘ipsis litteris’ as ideias de Olavo.

A tese foi apresentada por ele em dezembro a apoiadores do presidente Jair Bolsonaro durante um evento organizado por um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em Foz do Iguaçu (PR). “Dá para ganhar deles. É Olavo de Carvalho adaptado”, disse Abraham. “E como ganhamos deles? Não sendo chato. Temos que ganhar com humor e inteligência”. 

Na Cúpula Conservadora das Américas, Abraham afirmou que a adaptação das ideias de Olavo deram resultado com a eleição de Bolsonaro. “Eles têm técnica de ganhar essa brincadeira. Mas a gente tem técnica para vencer deles. Agente é a prova disso. A gente adaptou a teoria do Olavo de Carvalho de como enfrentar eles no debate intelectual”, disse. 

Na mesma palestra, seu irmão, Arthur Weintraub, chegou a dizer que era preciso adotar o estilo de Olavo, inclusive com xingamentos. “Quando um comunista ou socialista chegar para você com ‘nhoim nhoim’, você pega e manda ele para aquele lugar. Xinga. Faça o que o professor Olavo fala. Xinga”, disse Arthur. Abraham logo endossou frase do irmão: “mas sem perder a ternura jamais”. E Arthur completou: “Quando você for dialogar com uma pessoa sem integridade intelectual como é um comunista, você não pode ter premissas racionais”.

Na época os dois eram responsáveis por pensar a reforma da Previdência na equipe de transição do governo. Quando Bolsonaro assumiu a Presidência, Abraham foi indicado como secretário executivo da Casa Civil e Arthur foi para a equipe do ministro Paulo Guedes (Economia). 

Apesar de integrar a parte econômica do que seria o futuro governo, Weintraub aproveitou a temática do evento para focar seu discurso no combate ao pensamento de esquerda. Os irmãos contaram que desde que começaram a ajudar Bolsonaro, ainda em 2017, enfrentaram muita resistência no meio acadêmico.

Abraham afirmou ainda que seus adversários tinha “técnica para ganhar essa brincadeira”, mas destacou que a vitória de Bolsonaro mostrou que os conservadores também poderiam ter uma técnica de vitória. “A gente é prova disso.”

No evento de Foz do Iguaçu, o agora ministro também disse que o País precisava “parar de fazer bobagem” para se chegar a uma situação ideal, defendeu o “expurgo do comunismo” e disse que era preciso evitar ameaças como ataques terroristas islâmicos para que o Brasil se tornasse “uma das regiões mais estáveis do mundo.”

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Correções
08/04/2019 | 19h29

A primeira versão deste texto, publicada às 14h29, afirmava, incorretamente, que a frase “Quando um comunista ou socialista chegar para você com ‘nhoim nhoim’, você pega e manda ele para aquele lugar. Xinga” havia sido dita pelo novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante palestra na Cúpula Conservadora das Américas. A frase, no entanto, foi dita pelo irmão de Weintraub, Arthur. O texto já foi corrigido.

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