Dida Sampaio/AE - 18.08.2011
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Novo ministro da Agricultura deve ganhar aval para demitir quem quiser

Dilma quer que Mendes Ribeiro deixe a pasta longe de escândalos, o que vai significar retirada de apadrinhados de Wagner Rossi

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 22h40

BRASÍLIA - O futuro ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, deverá receber da presidente Dilma Rousseff autorização para trocar quem quiser nos postos de importância do setor. Significa que ele afastará os afilhados de Wagner Rossi, que se demitiu na quarta-feira, 17, depois de uma série de suspeitas sobre corrupção, tráfico de influência e comportamento aético envolvendo seu nome.

 

Dilma quer que o novo titular deixe a Agricultura longe de escândalos, de acordo com informações de bastidores do Palácio do Planalto. Ela dirá isso ao novo ministro. Mendes Ribeiro contou a integrantes do PMDB que não terá pressa em fazer as mudanças, mas as fará no momento necessário.

 

Ele quer se envolver o menos possível em política partidária, passando a dedicar seu tempo ao desenvolvimento de projetos do setor agrícola. Rossi fez o contrário. Nos pouco mais de 16 meses que permaneceu à frente da pasta, loteou o Ministério da Agricultura entre o PMDB, PTB e PT.

 

Retirada. De acordo com informações que correm nos bastidores do ministério, alguns ocupantes de postos de confiança muito ligados ao ex-ministro já estão se movimentando para entregar os cargos antes que sejam afastados. Entre eles, Ricardo Saud, diretor do programa de desenvolvimento da Secretaria de Cooperativismo, e Alfredo Moraes Jr., que foi chefe de gabinete do ex-ministro.

 

Na mesma situação estão Alexandre Magno Franco de Aguiar, ex-presidente da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab), Boaventura Teodoro de Lima, diretor de Infraestrutura, Logística e Parcerias Institucionais da Conab, e Nastassja Ferreira Tolentino, nome de confiança do ex-ministro.

 

Alguns outros diretores ligados a Rossi lutam para ficar. Têm esperança na força de seus padrinhos do PTB, PMDB e PT. Entre eles, Evangevaldo Moreira dos Santos, presidente da Conab, e Francisco Jardim, secretário de Defesa Agropecuária, indicados pelo PTB; Marcelo Melo, diretor de Operações e Abastecimento da Conab, afilhado do ex-governador Iris Rezende (GO), e Sílvio Porto, cujo padrinho é o PT.

 

A permanência deles, no entanto, é incerta.

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