André Dusek/Estadão
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Novo líder peemedebista indicará afinidade com PT

Daniel Carvalho, Fábio Brandt / BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2015 | 22h50

A escolha do substituto de Eduardo Cunha (RJ) como líder do PMDB na Câmara, nesta quarta-feira, será preponderante na relação da sigla com o PT nos próximos meses. Entre os candidatos à vaga há deputados afinados com o Planalto e outros que fizeram campanha eleitoral sem apoiar a reeleição de Dilma Rousseff.

Os dois partidos estão com relações estremecidas na Câmara após o embate travado na disputa pela presidência da Casa. A eleição terminou com a vitória de Cunha sobre o PT e o governo Dilma, que apoiaram o petista Arlindo Chinaglia (SP) na disputa. O Planalto já manifestou vontade de amenizar a situação. 

A presidente nomeou como líder do governo o deputado José Guimarães (PT-CE), reconhecido como interlocutor pelos peemedebistas. Para isso, tirou do cargo Henrique Fontana (PT-RS), contestado pelo PMDB e por setores do PT. A definição do novo líder peemedebista indicará se o partido também quer distensionar a relação ou não.

Entre os postulantes ao cargo estão três deputados que declararam voto em Aécio Neves (PSDB) na eleição presidencial e que engrossaram a oposição ao governo na Câmara em uma série de votações na última legislatura. São eles: Lúcio Vieira Lima (BA), Danilo Forte (CE) e Leonardo Picciani (RJ). Os candidatos a líder do PMDB que apoiaram Dilma são Marcelo Castro (PI), Manoel Júnior (PB) e José Priante (PA). 

Desses, Picciani e Priante estão confirmados como candidatos. Os outros, embora tenham discursos e posições com mais ou menos afinidade com o Planalto, pretendem reunir seus grupos hoje e construir uma candidatura única, a fim de evitar uma fragmentação exagerada da bancada.

“Queremos garantir a governabilidade, mas não vamos ser submissos, não vamos ser linha auxiliar do PT”, afirmou Forte, ao explicar como espera ver a bancada atuar nesta legislatura.

Castro adota um discurso mais suave para falar do governo. Para ele, a tensão da disputa entre Cunha e Chinaglia será desfeita porque as legendas fazem parte do mesmo projeto. “Queremos uma convivência harmoniosa com o governo e um nível de consideração na medida da importância do PMDB”, afirmou. “O PT está muito assombrado. Eles têm que entender que, na bancada do PMDB, 80% são do governo”, amenizou Priante. 

Nuances. Dentro do PT, também há nuances de discurso. Enquanto Guimarães tem feito reuniões para tentar afinar o tom com os aliados, parte da bancada insiste em não abrir mão de posições que incomodam o PMDB. “A nossa postura é de um partido que vai ter que, ao mesmo tempo, defender as suas posições programáticas e, obviamente, fazer esforços para ajudar sempre a destravar os nós que importam ao governo”, disse Fontana.

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