Novo líder do PMDB na Câmara é relator do Código de Mineração e financiado por mineradoras

Empresas do setor e da área siderúrgica doaram R$ 1,4 mi em 2014 para o deputado peemedebista

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2015 | 03h00

BRASÍLIA - Leonardo Lemos Barros Quintão, de 40 anos, nasceu em Taguatinga (DF), mas é deputado por Minas Gerais pelo terceiro mandato. O agora líder do PMDB da Câmara, que é próximo do vice-presidente Michel Temer, nem sempre foi filiado ao partido – Quintão já integrou o PSB e o PFL.

Dono de uma fortuna declarada à Justiça Eleitoral de quase R$ 18 milhões, elegeu-se com financiamento de mineradoras e siderúrgicas. Elas bancaram R$ 1,4 milhão dos R$ 4,9 milhões que Quintão informou ter gastado na disputa de 2014. 

Na lista de doadores do parlamentar, aparecem Vale Mina do Azul (R$ 700 mil), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (R$ 100 mil), Arcelormittal Brasil (R$ 183,3 mil), Anglogold Ashanti Córrego do Sítio Mineração (R$ 300 mil), Kinross Brasil Mineração (R$ 100 mil), Usiminas (R$ 133,3 mil), Flapa Mineração e Incorporação (R$ 100,3 mil), LMA Mineração (R$ 7,5 mil), Mineração Polaris (R$ 3 mil), Phoenix Mineração e Comércio (R$ 15 mil) e Santa Amabile Agropecuária e Mineração (R$ 900).

Relator do texto do Código de Mineração, ele é acusado por ambientalistas de flexibilizar as regras estabelecidas em 1967, beneficiando o ramo empresarial que o financiou. O deputado peemedebista rebate as acusações e diz que não cedeu ao lobby das mineradoras.

Projeto. O arquivo eletrônico do substitutivo do projeto do Código da Mineração, segundo reportagem da BBC, foi criado em um notebook do escritório Pinheiro Neto, que tem como clientes as mineradoras Vale e BHP Billiton. As duas empresas controlam a Samarco, mineradora responsável pela barragem que se rompeu em novembro em Mariana (MG).

Quintão disse que o documento foi criado na Câmara. Como a sala de reuniões da comissão especial não teria um computador para digitação, afirmou o deputado, foi usado o laptop do escritório para “escrever o processo legislativo, depois de colhidas dicas e sugestões de movimentos socioambientais”.

Formado em administração, ele iniciou a carreira política em 2001, quando foi eleito vereador de Belo Horizonte. Foi deputado estadual por Minas de 2003 a 2007, quando se elegeu deputado federal pela primeira vez. Quintão disputou a Prefeitura de Belo Horizonte em 2008. A votação no 1.º turno surpreendeu, mas ele perdeu apoios na reta final, em disputa com Marcio Lacerda (PSB) – candidato que tinha o apoio do então governador Aécio Neves (PSDB) e do então prefeito Fernando Pimentel (PT).

Naquela ocasião, causou polêmica a divulgação de um vídeo de Quintão no qual ele se referia a adversários: “Vamos ganhar e vamos chutar a bunda deles”. À época, o agora líder do PMDB alegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que Lacerda usou imagens de uma câmera de segurança, fazendo montagem de áudio. / COLABOROU ERICH DECAT

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