Novo governador da Paraíba demite 6.000 e anuncia auditoria no Estado

José Maranhão diz que o antecessor Cássio Cunha Lima demitiu toda a equipe e não deixou nem senhas de arquivos

Ricardo Brandt, JOÃO PESSOA, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em seu primeiro dia útil como governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB) assinou ontem um decreto exonerando pelo menos 6 mil funcionários comissionados da administração direta deixados pelo governador cassado Cássio Cunha Lima (PSDB), determinou uma auditoria em todas as contas do Estado e anunciou que fará uma análise detalhada dos contratos e convênios de grande valor feitos por seu antecessor.Apesar de negar uma caça às bruxas, Maranhão deixou claro que vai passar um pente fino nos atos administrativos do tucano. "Precisamos auditar grandes contratos. Vamos analisar essa operação dos cheques da FAC", disse ele, referindo-se à fundação usada para distribuir cheques na eleição, o que motivou a cassação de Cunha Lima. "Isso tudo foi documentado. Vamos analisar mais a fundo esses pagamentos."Maranhão foi surpreendido anteontem, após a posse, por um problema inesperado. Antes de deixar a cadeira de governador, na quarta-feira, o tucano demitiu todos os secretários por meio do presidente da Assembleia Legislativa, Arthur Cunha Lima (PSDB), primo do governador cassado, que respondia pelo cargo após a cassação determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).A medida obrigou o novo governador a fazer ontem mesmo, às pressas, a nomeação de 30 pessoas para o primeiro escalão. "Ninguém nunca fez isso. O governante espera até que o seu sucessor se apresente para a transmissão de cargo com todos os seus secretários nomeados", afirmou.Com as demissões do secretariado, Maranhão encontrou ontem o Palácio da Redenção com os gabinetes abandonados e despachou de sua casa. Senhas de arquivos e até do site oficial do governo não foram transmitidas para os novos ocupantes do posto, o que até ontem dificultava o acesso aos dados.Cunha Lima, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou ontem que quem determinou as exonerações foi Arthur Cunha Lima, a pedido do secretariado. Alegou que na decisão publicada no Diário Oficial de quarta-feira, que foi às ruas apenas à noite, estava prevista a indicação de um servidor para transmitir os dados do governo, mas Maranhão não teria aceitado a ajuda. www.estadao.com.brResultado da enquetePara 202 leitores, a Justiça deve convocar novas eleições em caso de cassação e não empossar o segundo colocado61% SIM39% NÃO

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