Acervo Estadão
Primeira edição no novo formato circulou em 17/10/2021. Acervo Estadão

Novo formato do impresso do ‘Estadão’ é sucesso entre os leitores

Mudanças são aprovadas por assinantes e por quem compra o jornal na banca, segundo pesquisa

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2022 | 03h00

Os leitores aprovaram as mudanças feitas no Estadão e apresentadas em 17 de outubro passado, quando a tradicional edição impressa do jornal passou a ser publicada em formato germânico (berliner), 146 anos após a sua fundação. Pesquisa de satisfação do leitor, realizada com compradores em bancas e assinantes, mostrou que, para 95% dos consultados, a credibilidade do jornal se manteve ou aumentou.

Ainda de acordo com o levantamento, 86% dos leitores de banca e 82% dos assinantes afirmaram que o jornal impresso ficou mais fácil de ler e manusear. E 83% dos que compram em banca responderam que preferiram o novo formato, assim como 74% daqueles que assinam o jornal.

Ao longo de 11 meses de projeto, foram feitas cinco pesquisas para entender as necessidades do leitor e captar reações em relação às mudanças propostas. Na ocasião, 89% disseram preferir o formato berliner. 

Ouvidos novamente agora, os leitores confirmaram essa tendência. “Gostei dessa nova versão”,  afirmou Jesner Esequiel dos Santos, um dos entrevistados na pesquisa mais recente. “Está mais fácil para a leitura, sem a necessidade de uma mesa, por exemplo”. Para ele, o conteúdo do jornal impresso permanece igual ao de edições anteriores do Estadão.

Relevância

A pesquisa revelou, ainda, que 94% dos entrevistados destacaram a importância que o Estadão tem para o seu dia a dia, pessoal ou profissionalmente”. Para 69% destes leitores, essa relevância do jornal no seu cotidiano continua a mesma e 25% afirmaram que ela “aumentou”.

Para o aposentado Airton de Souza Santos, além da credibilidade e do conteúdo oferecido pelo jornal quase sesquicentenário, há a questão da “aparência” e da facilidade de leitura e de manuseio. “Tem um visual limpo”, observou ele. Habituado a ler o Estadão durante o café da manhã, Santos disse que acompanha o noticiário, ao longo do dia, por meio de aplicativo. Mas ressaltou que ainda prefere se informar pelo jornal impresso.

O aposentado relatou que costuma iniciar a leitura pelo que chamou de “menu”, a Primeira Página, passando, em seguida, para os editoriais e para a página de Opinião. Depois, afirmou, segue com a leitura da Coluna do Estadão e da coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy.

A nova pesquisa mostrou também que a mudança de formato do Estadão deixou a marca mais moderna: 76% dos leitores consultados afirmaram que a modernidade “aumentou”, enquanto 19% acreditam que o novo projeto “manteve” a modernidade.

Evolução

Esse avanço na transformação digital do jornal começou em 2017. Em 2020, com apoio da consultoria McKinsey, o processo do Estadão 3.0 foi acelerado em razão da pandemia da covid-19, situação que já levou a uma ampla adaptação interna do jornal, com jornalistas e outros colaboradores passando a trabalhar em home office na produção e publicação de notícias e conteúdos.

No ano passado, o jornal reforçou o ambiente de divulgação multiplataforma de informação, com foco no portal estadao.com.br e no aplicativo, ampliando e diversificando na internet a já consagrada carteira de publicações do jornal impresso. O projeto culminou com o lançamento, em 17 de outubro, do novo Estadão.

Todas essas mudanças têm como alicerce o jornalismo profissional e independente, ativos inegociáveis do jornal. A renovação é orientada pela vontade dos próprios leitores e por experiências internacionais, que refletem o que é o mais adequado à nova forma de se viver e de se consumir informação.

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Estadão chega aos 147 anos com investimentos em novas tecnologias

Jornal adotará o Arc XP, plataforma criada pelo ‘The Washington Post’, que trará mais agilidade às publicações digitais, e o Salesforce, de relacionamento com os clientes

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2022 | 03h00

O Estadão chega aos 147 anos nesta terça-feira, 4, e dá mais um passo decisivo em seu processo de transformação digital, que vai mudar a forma como organiza a produção e a distribuição de seu conteúdo. O jornal assinou contrato para implantação do Arc XP, plataforma de publicação desenvolvida pelo jornal The Washington Post e, desde 2015, usada por veículos de comunicação em todo o mundo.

No Brasil, o Estadão é o primeiro grande jornal a comprar o programa, usado em 28 países, em sites que recebem 1,5 bilhão de visitantes únicos mensais. Mais de 70% dos clientes do Arc XP são veículos de mídia, incluindo alguns dos principais da América Latina, como o jornal La Nación e o site de notícias Infobae, ambos da Argentina, e o La Tercera, do Chile. Além desses, o espanhol El País também usa o Arc XP, assim como o canadense The Globe and Mail.

O programa, criado com foco no ambiente digital de uma redação, é composto por diversos módulos de atividades que se conectam, garantindo ao jornalista mais agilidade no fluxo de trabalho e oferecendo novas soluções para publicações multimídia, com vídeos, fotos e infográficos.

“Além da agilidade, o Arc XP garante um processo padronizado de construção de notícias, integrando todas as áreas envolvidas na produção do conteúdo, como redação e TI”, diz Danilo Barsotti, diretor de Dados e Tecnologia Digital do Estadão.

A ferramenta automatiza tarefas rotineiras e conta com modelos de conteúdo fáceis de usar, liberando a redação para se concentrar no mais importante: a apuração das notícias. Ao mesmo tempo, oferece possibilidades de personalização de elementos nas reportagens e no site, conforme as necessidades de cada veículo. Com a maior velocidade de carregamento das páginas que a plataforma permite e publicação mais ágil do conteúdo, quem sai ganhando é o leitor, que terá acesso à informação mais rapidamente e em um ambiente mais agradável.

“O Arc é a tecnologia de produção e publicação de conteúdo mais integrada e eficiente do mundo. Seu uso pioneiro no Brasil pelo Estadão é um grande passo rumo a uma ‘newstech’ inovadora e disruptiva”, afirma Eurípedes Alcântara, diretor de Jornalismo do Grupo Estado.

Em um dos módulos do Arc XP, o Websked, será possível reunir no mesmo ambiente dados em tempo real sobre o desempenho do conteúdo digital, como audiência e engajamento, servindo de apoio para a redação tomar decisões baseadas no comportamento do leitor. Hoje, esse acompanhamento já é feito, mas de forma pulverizada, em diferentes plataformas.

O trabalho de implantação do Arc XP na redação do Estadão deve se estender por todo o ano de 2022 e inclui a transferência do acervo de notícias do jornal. “O Arc vai reunir o conteúdo de 147 anos do Estadão em uma tecnologia de ponta, unindo dois extremos da história da empresa”, diz Barsotti. A tarefa deve envolver uma equipe de 60 pessoas da área de TI e do jornalismo, parte delas já em atividade.

Relacionamento com o leitor

Paralelamente ao Arc XP, o Estadão tem outros projetos na área de tecnologia, que, juntos, buscam melhorar a experiência do leitor. Além de uma nova estrutura de análise de dados que está sendo desenvolvida, o jornal vai passar a usar o Salesforce, ferramenta líder de mercado, para melhorar o relacionamento com seus clientes.

“Ela vai ajudar a conhecer melhor o leitor e a identificar seus interesses. Isso gera insights sobre quais conteúdos podemos oferecer a ele”, explica Igor Goulenko, diretor interino de Estratégias Digitais do Estadão. Essas informações, obtidas por meio de dados de audiência e engajamento, também podem servir de base para a criação de produtos jornalísticos, como newsletters mais personalizadas.

Essa análise vai se somar ao trabalho de pesquisa que o Estadão já faz com o público leitor, ampliando o diálogo com o consumidor de seu conteúdo.

História

A inovação tem sido uma das marcas importantes da longa história do Estadão. Ainda em 1876, apenas um ano após a fundação do jornal, o francês Bernard Gregoire passou a percorrer as ruas de São Paulo a cavalo, numa nova forma de vender exemplares. Fez tanto sucesso que esse cavaleiro se tornou o símbolo do Estadão.

Ainda no fim do século 19 e no início do 20, sob comando de Julio Mesquita, o jornal modernizou processos, formatos e linguagem, e se tornou uma das maiores referências da imprensa nacional. Exemplo dessa vanguarda foi a edição extra, noturna, publicada durante a Primeira Guerra Mundial, apelidada de Estadinho e que atualizava as informações com análises contextualizadas.

A inovação também serviu de recurso para driblar os arbítrios de regimes autoritários. Na feroz censura nos anos de chumbo da ditadura militar, o jornal publicou poemas de Camões no lugar de notícias proibidas, denunciando a violência contra a liberdade de expressão.

Nos anos 1980 e 1990, o Estadão continuou a explorar as novidades tecnológicas: foi pioneiro no noticiário em tempo real com o Broadcast e um dos primeiros veículos jornalísticos na internet e nas redes sociais. No ano passado, o jornal surpreendeu o mercado ao adotar o formato germânico em sua versão impressa. O pioneirismo resultou num produto mais fácil e prático para leitura, aprovado pelo público e pelos anunciantes.

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