Novo estudo mostra efeitos da violência na TV

Um estudo divulgado neste domingo nos Estados Unidos responde a uma dúvida freqüente de muitos pais: como crescerá seu filho pequeno bombardeado com tantas cenas de violência na televisão? Meninos e meninas que passam horas diante da TV idolatrando policiais, mocinhos ou bandidos têm muito mais chances de se tornarem agressivos quando adultos. A conclusão ela vale se a criança for pobre ou rica, se já emitir sinais de agressividade ou se os pais tiverem muitos anos de estudo. A exposição em excesso a imagens de brigas e assassinatos influenciará a infância, a adolescência e chegará até a fase adulta. "A identificação das crianças com personagens violentos da TV e a percepção de que essa violência era real tornaram-nas mais agressivas", afirmou o professor L. Rowell Huesmann, da Universidade de Michigan. Pesquisador das áreas de comunicação e psicologia, ele é co-autor do estudo que comparou a violência vista na TV pelas crianças e a praticada por elas quando adultas. Trata-se de uma das primeiras pesquisas que aponta as conseqüências da má qualidade da televisão na formação das pessoas. O estudo cruzou dados de crianças entre 6 e 10 anos no período de 1977 a 1979 e como elas estavam 15 anos depois. Da primeira fase, participaram 557 estudantes. Na segunda, realizada entre 1992 e 1995, 329 deles foram ouvidas. Os pesquisadores entrevistaram ainda outras 356 pessoas, entre companheiros e amigos mais íntimos das primeiras crianças. O estudo foi divulgado no jornal Developmental Psychology, da American Pshychological Association. Crianças que viam com freqüência cenas de violência na TV tinham mais relatos de agressões na fase adulta do que as demais. Esse comportamento era reforçado ainda mais se elas acreditavam que os filmes e programas retratavam somente a realidade. Era o menino que se espelhava no Cyborg, o Homem de Seis Milhões de Dólares, ou a garota que admirava a Mulher Biônica. Apenas outros três programas foram citados no estudo: os seriados Dirty Harry e Justiça em Dobro e o desenho animado Papa-Léguas. Por mais que hoje os programas de antigamente parecessem inocentes, alguns podem ter sido nocivos ao olhar infantil. "A criança vê o personagem, herói ou não, ser recompensado por ter agido violentamente", disse Huesmann ao Estado. Por esse motivo, é menos provável que um garoto ou uma garota se influenciem por um noticiário na TV contendo cenas violentas, imagens que não ficam gravadas por muito tempo. Evidências - Os sinais mais freqüentes de agressividade entre os homens que assistiram a muitas cenas de violência foram: empurrar ou bater na companheira, revidar com empurrões ao ser insultado por alguém, cometer uma violação de trânsito ou mesmo praticar um crime. Homens desse grupo cometeram três vezes mais crimes do que os demais. As mulheres telespectadoras de violência na infância registraram quatro vezes mais casos de brigas e outras agressões do que as outras. O estudo verificou que as mulheres apresentaram formas indiretas de agressividade na fase adulta. Os homens, ao contrário, evidenciaram mais esse lado da personalidade. A explicação encontrada é que, nos anos 70, os personagens femininos na TV eram menos violentos que os masculinos. Outro dado que surpreende é o fato de que a educação dos pais, o nível de renda familiar, o comportamento das crianças e suas habilidades intelectuais não tiveram influência decisiva no fato de elas terem se tornado ou não agressivas 15 anos depois. Pesou mais o fato de terem sido expostas desde os primeiros anos a imagens violentas. "A violência na TV afeta os adultos no curto prazo, enquanto nas crianças os efeitos duram mais", disse Huesmann. Como a atual programação é, segundo muitos críticos, bem mais violenta do que no passado, os pais devem ficar mais preocupados com o futuro dos filhos? Para o pesquisador, a agressão é causada também por uma soma de outros de fatores, como pobreza, condições de vida, uso de drogas, relações familiares tumultuadas. "Se eles forem resolvidos, a agressividade diminui." O estudo aponta como uma das possíveis soluções o V-chip, uma espécie de censor que filtra determinados programas. Mas desde que o aparelho pudesse ser totalmente programado pelos pais e não pelos produtores. A recomendação é de que os pais assistam ao lado dos filhos ou pelo menos não deixem de comentar os programas. Para o pesquisador, isso reduziria a percepção das crianças de que a violência é real e evita que elas desliguem a TV e saiam acreditando no que acabaram de ver.

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