Novo embate entre Furlan e Lessa

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luíz Fernando Furlan, que também é presidente do Conselho de Administração do BNDES, enviou carta criticando o presidente do banco, Carlos Lessa, por este não ter submetido à aprovação do Conselho o Planejamento Estratégico para 2004/2007 do banco, divulgado pelo vice-presidente Darc Costa no dia 3. Lessa, por sua vez, escreveu carta-resposta a Furlan e, entre outras, disse que o BNDES está vinculado ao Ministério, mas não está subordinado a ele.Com a resposta, criou-se nova crise entre os dois. E mais. Ela vai contra a Lei das S.As., que diz claramente que planos estratégicos têm de ser submetidos ao conselho de administração de empresas ou instituições financeiras. A próxima reunião do Conselho do BNDES, segunda-feira, deve ferver. Pelo que se apurou, o embate é do conhecimento do presidente Lula e a informação se espalha entre os integrantes da área econômica e da Casa Civil. Os que são a favor de Lessa tentam colocar panos quentes na história. Os que são contra Lessa buscam acender a fogueira para ver se, desta vez, o presidente Lula toma alguma atitude mais firme, interferindo na relação, um tanto estranha, entre Ministério e BNDES. Jamais na história brasileira existiu um presidente do BNDES que, declaradamente, não acata como seu chefe imediato o ministro da área, que anteriormente era o da Economia, depois o da Fazenda e o agora adolescente Ministério do Desenvolvimento. E Lessa o faz de forma aberta e pública. Ambas as partes admitem que as cartas existem. Tentam, porém, minimizar a importância do assunto. A confusão não se manteve nos bastidores, deste vez, simplesmente porque tanto Furlan como Lessa resolveram se questionar mutuamente em papel impresso, abrindo portas para a manipulação da questão. Não é de hoje que a relação Lessa-Furlan é difícil. A indicação de Lessa partiu de Lula, atendendo ao pedido feito pela economista do PT Maria da Conceição Tavares, sem anuência de Furlan. E a divergência ideológica entre os dois, sobre o papel do BNDES é notória.Furlan sempre defendeu um banco dividido em duas vertentes, uma vinculada ao financiamento do comércio exterior, outra social, para financiamento de pequenas e microempresas. E Lessa acredita em uma política mais paternalista com o Estado na condição de indutor.

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