Marcio Fernandes/AE
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Novo dirigente da SIP diz assumir em 'momento perigoso'

Jaime Montilla, jornalista equatoriano, participou de videoconferência na cerimônia de encerramento do evento em SP

Beatriz Bulla, da Agência Estado

16 de outubro de 2012 | 17h45

Em cerimônia de encerramento da 68ª Assembleia - Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o recém-nomeado presidente do organismo, Jaime Mantilla, ressaltou a necessidade de luta constante pela liberdade de expressão, principalmente em países com governos que dificultam o livre trabalho jornalístico. O jornalista equatoriano, do jornal Hoy, de Quito, participou por meio de videoconferência do encerramento, que aconteceu nesta terça-feira, 16, no hotel Renaissance, em São Paulo.

"Assumo esta presidência em um momento perigoso", afirmou, dizendo que as tentativas de "tornar uniforme o pensamento de cidadãos livres" têm aumentado e os cerceamentos tendem a se generalizar. O jornalista equatoriano foi condenado, no final de 2011, a três meses de prisão pela publicação de artigos contra o presidente do Banco Central, Pedro Delgado, primo do presidente Rafael Correa. Posteriormente, Delgado desistiu do processo. Nesta terça, Mantilla ressaltou que a SIP tem o compromisso de defender o direito à livre expressão e por isso deve trabalhar de forma ágil e produtiva. "Vamos unir esforços e reestruturar algumas comissões para que (as ações) sejam coordenadas", declarou, acrescentando ser necessário otimizar os recursos disponíveis.

O novo presidente da SIP afirmou que, à frente da SIP, vai se inspirar em preceitos definidos décadas antes por Albert Camus. Segundo ele, Camus havia afirmado que é necessário ter lucidez, ironia, obstinação e "rechaço". "Lucidez para não publicar o que possa incentivar o ódio. Rechaço porque nenhuma imposição fará com que o jornalista honesto seja desonesto. A ironia segue sendo uma arma contra os extremamente poderosos, e a obstinação coloca-se a serviço da objetividade e da tolerância."

Mantilla aproveitou seu pronunciamento para mencionar os nomes do conselho de diretores da sua gestão. Segundo ele, é também necessário aumentar o número de sócios da SIP no Brasil e nos Estados Unidos.

A assembleia da SIP aconteceu entre os dias 12 e 16 e abordou temas como a convergência das novas tecnologias e a mídia tradicional, o futuro do jornal em papel e as ameaças à atividade jornalística pelo crime organizado. O evento divulgou ainda um relatório inédito da SIP sobre a realidade da censura à imprensa.

Representantes do jornal espanhol El País estiveram presentes na assembleia para debater a questão da adaptação do jornalismo aos novos tempos frente à crise econômica. O New York Times também participou do encontro, discutindo o futuro do jornalismo na era digital.

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