Novo diretor diz que não permitirá uso político da Abin

O novo diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Mauro Marcelo de Lima e Silva, que tomou posse hoje, afirmou que a agência poderá colaborar com a Polícia Federal "na troca de eventuais informações" no inquérito que apura o envolvimento do ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, em corrupção. "Mas não vamos criar uma área de confronto com a inteligência da PF", disse. Mauro Marcelo foi cauteloso ao responder sobre o caso Waldomiro, afirmando que a Abin não investiga pessoas e não gostaria de comentar sobre fatos que ocorreram antes de sua posse na presidência da Agência. Em entrevista coletiva após sua posse, Lima e Silva disse que não permitirá o uso político da Abin ? embora saiba-se que, dentro da agência, existem cinco diferentes grupos, formados por sindicalistas e ex-funcionários do extinto Serviço Nacional de Informação (SNI) e outros. Mauro Marcelo afirmou que a Abin vai trabalhar como Estado e não como partido político. Ele entende que, resolvendo os problemas de carreira dos funcionários da Abin, resolverá 98% dos problemas internos. Ele disse que fará uma espécie de trégua com os grupos internos da Agência e que não pretende demitir servidores. "Não quero dizer que esteja uma situação de conflito. Quero minimizar e dizer que há um descompasso que prefiro denominar de fagulhas numa oficina de trabalho", afirmou o presidente da Abin, que já está conversando com cada grupo.Em relação ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e a outros movimentos sociais, ele disse que a Abin vai agir baseada na lei e não fará "nada que fuja aos pilares constitucionais no Estado de Direito". "O MST não é problema para a Abin. O problema é a questão agrária, que precisamos acompanhar. Da mesma forma o PCC e o Comando Vermelho não são problemas para a Abin, mas de segurança pública. O que nos compete é antecipar problemas e traçar uma estratégia para decisões governamentais", disse. O delegado Mauro Marcelo disse que não é filiado ao PT, apesar da amizade com o presidente Lula. "Temos que lidar com paradoxos de um governo do PT e as questões sociais. Mas eu gostaria de deixar claro que a atuação da Abin será sempre baseada em lei", afirmou. Ainda em relação aos movimentos sociais, tanto no campo quanto na cidade, ele disse que sempre encaminhará ao presidente e ao secretário de Segurança Institucional da Presidência, general Jorge Félix, informações a respeito de qualquer tipo de ameaça ao Estado de Direito, aos interesses nacionais e à sociedade.

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