Novo diretor da PF quer expor menos os acusados

Logo após tomar posse, Corrêa diz que a 'imagem de sucesso da PF não deve ser marcada pela imagem de alguém sendo jogado num camburão'

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2004 | 00h00

Brasília - O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que a Polícia Federal continuará realizando megaoperações de combate à corrupção e ao crime organizado, de forma isenta e sem se submeter a qualquer tipo de pressão política. Mas destacou que, daqui por diante, com o cuidado de evitar a exposição de pessoas presas. "O que vai ocorrer é a continuidade das ações de combate ao crime organizado, mas, a partir da avaliação de conjunto, tendo mais cuidado com exposição de pessoas."Ele deu a declaração logo depois de empossar o delegado Luiz Fernando Corrêa, como novo diretor-geral da PF, em substituição ao delegado Paulo Lacerda, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A solenidade de posse lotou o auditório da PF, com capacidade para mais de mil pessoas. E foi prestigiada pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, em cuja gestão a PF ganhou grande visibilidade no País e no exterior com uma forte política de combate à corrupção, que não poupou políticos de todos os partidos, inclusive da base do governo, ministros e até parentes do presidente Lula.Segundo o ministro, o trabalho de Lacerda terá continuidade, mas sofrerá correções a partir do Manual de Planejamento Operacional, adotado pelo ex-diretor no último dia no cargo. "Agora a PF tem um chefe com a mesma tradição do Lacerda", disse, referindo-se a Corrêa. "A PF vai continuar sendo uma polícia de Estado, isenta, fora de qualquer tipo de jogo político."Tarso destacou que os ajustes na conduta da PF já vinham sendo feitos pelo próprio Lacerda. "De algum tempo para cá já existe mais cuidado com a exposição de pessoas." Ele insistiu, porém, que a cautela não resultará na redução das ações. "Pelo contrário, elas vão continuar e se aprofundar."Em entrevista pouco depois, Corrêa reforçou o argumento: "O destaque do nosso trabalho não deve ser a imagem da PF, mas o conteúdo da ação e o resultado para a sociedade. A imagem de sucesso da PF não deve ser marcada pela imagem de alguém sendo jogado num camburão", enfatizou.O novo diretor da PF contou que vai adequar a capacidade operacional de prisão, com o objetivo de evitar a exploração de imagem de pessoas investigadas. "Mas sem reduzir um milímetro nossa capacidade repressiva do crime", avisou. Ele disse também que não se trata de uma crítica aos antecessores. "É um processo evolutivo. A sociedade está evoluindo e nós também, como instituição. A sociedade quer que se combata o crime, mas sem exageros contra os direitos dos cidadãos."De acordo com Corrêa, as pressões política sempre existirão, mas serão respondidas com rigor técnico e profissionalismo nas operações. "A PF não pára. Uma boa prova criminal rebate qualquer pressão." Ele disse que sua prioridade à frente da PF será fazer uma gestão articulada com todas as diretorias e ajudar no processo de segurança nacional. "Não vamos reinventar a roda. Teremos continuidade administrativa. Não vamos desconsiderar a experiência acumulada", afirmou, anunciando que fará um planejamento estratégico até 2022.

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