Novo diretor da OMS quer priorizar combate à aids

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem um novo diretor. O coreano Jong Wook Lee assumiu o cargo máximo na entidade prometendo dar prioridade ao combate à aids. Para isso, chamou o brasileiro Paulo Teixeira e o norte-americano Jack Chow para montarem uma estratégia que possibilite que 3 milhões de soropositivos tenham acesso gratuito ao tratamento até 2005. Hoje, apenas 300 mil pacientes são beneficiados pela distribuição gratuita do coquetel, quase metade deles no Brasil.Lee substitui a norueguesa Gro Harlem Brundtland, que marcou sua gestão por pressionar os países a concluírem uma negociação sobre o controle do cigarro. Já o tratamento da aids acabou ficando em um segundo plano, o que desagradou a muitos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil. Para atingir os 3 milhões de pacientes em todo o mundo, Lee defende um "novo pacto" entre governos, entidades e empresas farmacêuticas. Um plano de ação deverá estar pronto até dezembro e precisará de pelo menos US$ 2 bilhões para se tornar realidade. "Todos os atores da sociedade estão convidados a participarem da iniciativa", afirmou Lee, para quem o brasileiro Paulo Teixeira terá "a grande responsabilidade em fazer esse projeto funcionar". Mas o trabalho de Teixeira não será fácil. Lee chamou para seu gabinete o americano Jack Chou, ex-funcionário do Departamento de Estado norte-americano e que é visto como os "olhos, ouvidos e boca" da Casa Branca na nova direção da OMS. Chou será o "conselheiro" de Lee e atuará ao lado do especialista brasileiro. Para um experiente diplomata em Genebra, o combate à aids, ao lado de temas como o terrorismo, é um dos assuntos com maior visibilidade na política externa de George W. Bush, e é natural que um americano ocupe essa posição.Em sua primeira entrevista à imprensa internacional, Chou buscou fugir de questões polêmicas, como a liberdade para que países importem remédios genéricos, e deixou claro que remédios genéricos somente participarão da campanha da OMS se mostrarem que são produtos de qualidade. "Vim servir a todas as nações", afirmou o diplomático Chou. Mas não é apenas a presença do americano que está gerando desconfianças entre os países em desenvolvimento sobre a nova diretoria da OMS. Lee recebeu o amplo apoio das empresas multinacionais do setor farmacêutico, que deixaram claro que esperam ser ouvidas nas estratégias formuladas pela nova diretoria da OMS. "Acreditamos que as empresas farmacêuticas estão bem posicionadas para cooperarem com os especialistas da OMS", afirmou Harvey Bale, diretor da Federação Internacional das Indústrias FarmacêuticasSe não bastasse o apoio da indústria farmacêutica, os ativistas internacionais tem outra fonte de preocupação. Mais de 65% dos altos funcionários, conselheiros e assessores escolhidos por Lee são de origem de países desenvolvidos. O coreano tem um mandato de cinco anos, com possibilidade de reeleição.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.