Novo diretor da Conab atuou na guerrilha com Dilma

O novo diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) será João Carlos Bona Garcia, que durante a ditadura militar atuou na guerrilha ao lado da presidente Dilma Rousseff. Bona Garcia foi nomeado pelo ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) para a secretaria antes ocupada por Oscar Jucá Neto, demitido em julho. Desde então, o cargo estava vago.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

07 de outubro de 2011 | 19h11

A nomeação de Bona Garcia para a Conab é mais uma prova de que a presidente da República pretende ter o controle sobre estatais problemáticas na fase pós início da faxina iniciada pelo setor de transportes, em julho. Embora filiado ao PMDB, Bona Garcia é muito próximo de Dilma Rousseff. Ele militou na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Carlos Lamarca, que depois se juntaria ao grupo Colina, de Dilma, e formaria a VAR-Palmares.

Bona Garcia, que na clandestinidade adotou o codinome de André, foi preso no Rio Grande do Sul em abril de 1970, alguns dias depois da captura do hoje ministro Fernando Pimentel (Indústria e Comércio Exterior). Em janeiro de 1971 integrou a lista de 70 presos políticos trocados pelo embaixador da Suíça no Brasil na época, Giovanni Enrico Buche.

Em seguida, Bona Garcia exilou-se no Chile. Anistiado em 1979, retornou ao Brasil. Em 1989, lançou, em parceria com Júlio Posenato, o livro de memórias "Verás que um filho teu não foge a luta". Ele foi também presidente da Comissão de Indenização a ex-presos políticos do Rio Grande do Sul e da Comissão do Acervo da Luta contra a Ditadura.

No governo de Pedro Simon, foi nomeado subchefe da Casa Civil em 1989. Seis anos depois, assumiu o cargo de secretário-geral do PMDB gaúcho em 1996, mesmo ano para o qual foi indicado conselheiro do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Em 1997 chegou à presidência do Sindicato dos Bancos do Rio Grande do Sul. Em 1998, no governo de Antonio Britto (PMDB), foi nomeado juiz da Justiça Militar do Estado.

Sindicância

A Controladoria-Geral da União (CGU) pediu mais um mês de prazo para concluir as sindicâncias que apuram suspeitas de irregularidades na Conab e no Ministério da Agricultura, as mesmas que levaram à queda do ministro Wagner Rossi e do secretário-executivo da Pasta Milton Ortolan. O atraso na conclusão da sindicância frustrou o ministro Mendes Ribeiro, que aguarda os resultados para fazer novas mudanças no Ministério e na Conab.

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