Novo chefe da Polícia Federal em Cumbica pede integração e superação

Delegado Wager Castilho vai comandar o maior aeroporto do País e destaca o combate ao narcotráfico como um dos principais focos de sua gestão

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2011 | 15h38

O delegado Wagner Castilho assumiu nesta quinta-feira, 12, o comando da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, o maior do País. Ele pediu “integração e superação” para enfrentar o grande desafio que o aguarda.

Em 2010, a PF apreendeu 1,8 tonelada de cocaína em Cumbica, além de 200 mil micropontos de LSD e uma fortuna do tráfico e de organizações envolvidas em lavagem de dinheiro e crimes financeiros – mais de 1 milhão de euros e mais de US$ 1 milhão.

A PF informa que em 2010 foram capturados em Cumbica 320 traficantes internacionais. “Apenas por dois terminais (de Cumbica) passam 45% do fluxo migratório do País”, ressaltou Castilho, em cerimônia discreta no auditório da Infraero.

O delegado destacou que o Brasil tem 23 mil quilômetros de fronteiras, sendo 17 mil quilômetros terrestres. É o segundo País do mundo em número de aeroportos e aeródromos, 2.448 no total, dos quais 739 são públicos. “Cumbica é a porta dos céus para quem ingressa no Brasil”, disse Castilho, que terá a incumbência de vigiar 14 quilômetros quadrados de área, por onde transita diariamente uma população flutuante de 110 mil pessoas. No ano passado, 27 milhões de passageiros embarcaram e desembarcaram em Cumbica.

Castilho pregou a importância de uma cooperação cada vez mais intensa entre os órgãos que mantêm atividades no que chamou de “comunidade aeroportuária” – Receita, Infraero, Polícia Civil, Polícia Militar, Anvisa, Forças Armadas e outros. O delegado também fez um apelo para que os profissionais superem “divisões e vaidades”. Avisou que “desvios de conduta terão punição implacável”.

Wagner Castilho já trabalhou em Cumbica, há muitos anos e admite preocupação com a grande demanda que marca o dia-a-dia no aeroporto, mas conta com a experiência para driblar contratempos. “Eu trabalhei no aeroporto numa época em que bicicleta tinha 5 ou 10 marchas. Agora a bicicleta tem 40 marchas, mas a pedalada é a mesma.”

Sua proposta, disse, é “melhorar o que já estava bom e oferecer melhor atendimento ao passageiro”.

Citou os grandes eventos esportivos que se aproximam, a Copa 2014 e a Olimpíada. “O maior problema é enfrentar a demanda crescente. Mas quando entrei na PF ninguém disse que seria fácil (a missão)”, disse Wagner Castilho.

“O difícil para nós é o cotidiano, mas vamos dar conta sim, de tudo, tanto no atendimento ao passageiro como no controle imigratório e também no combate ao narcotráfico e todos os crimes em geral.”

Inteligência. Castilho ingressou na PF em 1989. Atuou na Delegacia de Ordem Política e Social, no Setor de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras, na Delegacia de Repressão a Entorpecentes e na Delegacia de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas. Também integrou a área de contra inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O superintendente regional da PF em São Paulo, delegado Roberto Troncon Filho, disse que a formação e qualificação dos agentes e delegados é o melhor caminho para combater o narcotráfico no maior aeroporto do País.

“Apenas multiplicar efetivos não adianta”, declarou Troncon. “A ampliação de recursos humanos por si só não é a única alternativa, mais importante é o valor do pessoal, a qualidade do policial.”

O superintendente anotou que outros países que dispõem de quadros mais numerosos nos aeroportos não apreenderam volume tão expressivo de drogas como a PF já recolheu em Cumbica. “Temos batido recordes sucessivos”, disse Troncon.

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