Novo caso de malária leva Rio a intensificar combate à doença

A confirmação de um caso importado de malária em Araruama - que elevou para 15 o número de registros da doença no Estado este ano e para dois na Região dos Lagos - motivou as autoridades de saúde a estender o bloqueio sanitário à cidade. A fim de combater o mosquito Anopheles, técnicos já estão borrifando inseticida na área onde está a doente - uma mulher que mora em Rondônia e vive doente para o Rio. Exames de sangue estão sendo realizados em moradores que desenvolveram sintomas da malária. Hoje, será realizada experiência usando um agente de saúde e um animal como iscas para capturar o vetor da malária, o Anopheles. A diretora de Saúde Coletiva do município, Ilma Terezinha Teixeira, acredita que o mosquito está na cidade.Agentes de saúde já borrifaram num raio de 800 metros da casa da doente. "Nossa cidade é praiana, mas também tem mata (habitat natural do mosquito). Acredito que o Anopheles esteja em todo o Estado. É só procurar", afirmou Ilma Teixira, contrariando o discurso de especialistas, que dizem que o vetor não ocorre em áreas urbanas. A diretora de Saúde Coletiva do município ressaltou que não há tempo suficiente para a fêmea de um mosquito ter picado a doente e depois infectado outra pessoa. "Isso leva dias. O inseticida mata o mosquito antes que ele contamine outra pessoa. Não há condições para a proliferação da doença." Araruama não tem casos autóctenes de malária há pelo menos 20 anos. O último registro importado é de 2000 e foi trazido da Índia. A cidade é vizinha de Cabo Frio, onde foi constatado um caso de malária, importado do Mato Grosso, na semana passada. A identidade da doente não foi divulgada pela secretaria de Saúde de Araruama. A diretora de Saúde Coletiva do município informou apenas que trata-se de uma mulher de 71 anos, cujo primeiro nome é Maria e que tem uma filha que vive na cidade. Ela mora em Rondônia - onde a malária é endêmica - e chegou na semana passada. Em novembro, ainda em Rondônia, ela já havia manifestado os sintomas da doença. Lá, foi identificada a presença do protozoário Plasmodium Vivax (o mais comum no País) em sua corrente sangüínea.Depois de se tratar, Maria veio para o Rio e ficou hospedada na casa de parentes no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A doente teve febre novamente em Araruama e procurou um posto de saúde no último dia 21. Maria contou aos médicos que desenvolveu malária diversas vezes no período de 20 anos em que mora em Rondônia. Ela teve até a forma mais agressiva da doença, provocada pelo Plasmodium Falciparum e conhecida como febre terçã maligna, por duas vezes.Agentes da Secretaria Estadual de Saúde vão amanhã montar armadilhas vivas a fim de capturar mosquitos. No fim da tarde, momento em que o mosquito pica, um agente vai se posicionar num ponto onde o vetor é encontrado a fim de atraí-lo. Um animal, possivelmente um cachorro, será colocado dentro de uma cabana com uma lâmpada acesa e também servirá de isca. Reservas canceladasEm Paraty, no Sul Fluminense, a malária está atrapalhando a principal atividade econômica da cidade: o turismo. Os visitantes estão assustados porque o município já teve cinco casos da doença esse ano - três autóctones, na Praia do Sono, o de um argentino que foi infectado na Venezuela e outro de um pedreiro de Angra dos Reis que foi picado pelo Anopheles na praia. Não há números oficiais, mas, de acordo com os donos de pousadas e hotéis, muitas reservas já foram canceladas - apesar de a Praia do Sono ficar a 20 quilômetros do centro da cidade, o que evitaria a proliferação da doença. Os comerciantes temem que a queda no movimento de turistas atrapalhe os negócios durante a mais tradicional festividade da cidade, a Festa do Divino, que vai de 10 a 19 de maio.

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