Novo cardeal brasileiro defende voto 'responsável'

Para Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, eleitor deve ter em conta 'valores éticos e morais' dos candidatos

João Carlos de Faria, especial para o Estado,

26 de outubro de 2010 | 19h45

APARECIDA, SP - O arcebispo de Aparecida e mais novo cardeal brasileiro nomeado pelo Papa Bento XVI e destacou nesta terça-feira, 26, ser fundamental que os eleitores brasileiros votem conscientemente no próximo domingo, no segundo turno das eleições. Dom Raymundo Damasceno Assis foi recebido com festa nessa terça-feira, 26, na antiga Basílica Nacional, e falou de sua participação no Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, do qual participou na semana passada em Roma.

 

"Nós desejamos que o eleitor vote de forma responsável e conscientemente, pensando no bem do nosso país, tendo em conta os valores éticos e morais que cada candidato defende e as soluções propostas por eles para as nossas questões mais sérias e importantes", afirmou.

 

Dom Damasceno disse que a "questão da vida é fundamental, pois é um dom de Deus e um direito básico" e que a "família e o matrimônio" são valores que a Igreja não pode "negociar", mas defender de uma maneira muito clara, muito definida. "Mas a Igreja respeita a liberdade do eleitor, que deve votar com muita consciência, perante Deus, perante a sociedade e perante ele mesmo, lembrando-se que o voto não tem preço, mas tem consequência", afirmou.

 

Os interesses pessoais e o individualismo devem ser deixados de lado, mas "é preciso pensar no bem do País". O arcebispo reafirmou, conforme já havia dito á reportagem do Estado, na semana passada, que a Igreja não faz indicação de candidatos e nem de partidos, mas deve dar critérios "éticos" para que o eleitor tenha "alguns elementos" para tomar a sua decisão "com muita responsabilidade".

 

"O que eu desejo é que essa campanha eleitoral termine em paz e em harmonia e respeite a voz das urnas", disse, durante entrevista coletiva, sem fazer referência direta à polêmica que envolveu a Igreja na campanha. Destacou, no entanto, que a liberdade de imprensa "é fundamental para a democracia" e que qualquer tentativa de impor limites à imprensa "não traz nenhum benefício".

 

Recepção Calorosa. Dom Raymundo Damasceno Assis foi recebido em Aparecida com fogos e foi acompanhado por batedores até a antiga Basílica Nacional, onde esperavam por ele bispos, padres, autoridades civis e cerca de 500 pessoas, que lotavam a Igreja.

 

Saudado pelo padre Darcy Nicioli, reitor do Santuário Nacional e demonstrando cansaço pela viagem - ele havia chegado pela manhã de Roma e ainda estava com o relógio acertado pelo fuso horário da Europa - Dom Damasceno confessou-se "surpreso" com a nomeação.

 

"Fui avisado na terça-feira, antes do anúncio oficial e me surpreendi, pois não esperava isso", disse. Segundo ele, o gesto do Papa em nomeá-lo é uma "consideração" pela América Latina e uma "homenagem ao Brasil".

 

Dom Damasceno deu sua primeira bênção na condição de neo-cardeal, cujo título será formalizado no próximo dia 20, no terceiro Consistório dos Bispos, em Roma. Na oportunidade ele receberá o barrete e o anel cardinalísticos, por imposição do Papa Bento XVI. Além dele, outros 23 bispos serão nomeados cardeais.

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