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Bolsonaro enfrenta 7 horas de cirurgia; alta será em 10 dias

Presidente retira bolsa de colostomia que usava desde atentado, em setembro; segundo médicos, intervenção ocorreu sem complicações, segundo boletim do Hospital Albert Einstein

Fabiana Cambricoli, André Ítalo Rocha e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 17h13
Atualizado 28 de janeiro de 2019 | 21h59

Após sete horas de cirurgia, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) teve a bolsa de colostomia retirada nesta segunda-feira, 28, e o trânsito intestinal finalmente reconstruído quase cinco meses após ser atingido por uma facada. Segundo boletim médico divulgado no fim da tarde pelo Hospital Israelita Albert Einstein, a operação ocorreu sem complicações e, após a cirurgia, o presidente foi encaminhado para a UTI do hospital onde, até noite desta segunda-feira, seguia em condição estável, consciente e sem dor.

Uma hora depois de concluída a cirurgia, o presidente manifestou em seu Twitter que estava bem. Postou três emojis: um com a bandeira do Brasil, outro com uma mão fazendo sinal de positivo e um terceiro com duas mãos juntas agradecendo.

A operação, iniciada às 8h30 e concluída às 15h30, durou o dobro do previsto por causa de inúmeras aderências intestinais encontradas no abdome do presidente. A condição, decorrente das duas cirurgias anteriores, ocorre quando tecidos de cicatrização das alças do intestino “grudam” em outras partes do órgão, o que pode levar à obstrução intestinal.

Segundo o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, a quantidade de aderências exigiu que os cirurgiões fizessem “uma verdadeira obra de arte” para poder remover todas elas e reparar o intestino de Bolsonaro. “A cirurgia foi conduzida de uma forma muito especial, muito cuidadosa, devido à quantidade muito grande de aderências”, afirmou o porta-voz, em coletiva de imprensa no Hospital Albert Einstein, horas depois da cirurgia.

Durante a cirurgia, foi necessária a retirada de uma parte do intestino grosso chamada de cólon ascendente ou direito. “Foi removido por segurança”, disse ao Estado o cirurgião chefe da equipe, Antônio Luiz Macedo.

Com extensão de 15 a 20 centímetros, o cólon ascendente era a parte do intestino que havia sido exteriorizada até a parede abdominal para a saída de fezes até a bolsa coletora. Com a retirada dessa parte, a costura interna feita para restabelecer o trânsito intestinal foi feita entre o íleo (última parte do intestino delgado) e o cólon transverso.

Macedo não explicou quais seriam as questões de segurança que levaram à remoção do cólon ascendente, mas, segundo cirurgiões ouvidos pelo Estado, essa opção pode ser feita quando o tecido do cólon ascendente está deteriorado ou com muitas aderências ou então pelo fato de a costura entre o íleo e o cólon ser menos propensa ao rompimento dos pontos do que uma costura entre o cólon ascendente e o transverso. “Enquanto a probabilidade de rompimento da sutura é de 2% no caso de ligação entre duas partes do cólon, o índice cai para 1% quando ela é feita entre o íleo e o cólon”, afirma Fábio Guilherme de Campos, professor da Faculdade de Medicina da USP e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

De acordo com o especialista, a retirada dessa parte do intestino grosso tem poucas consequências para o paciente. “O que pode acontecer é o paciente evacuar um pouco mais do que evacuava antes, mas é uma mudança pequena na frequência e, com o tempo, o intestino vai se adaptando”, diz ele.

Presidente ficará em repouso por 48 horas

Ainda na entrevista coletiva, Rêgo Barros confirmou que Bolsonaro ficará em repouso por 48 horas e, na quarta-feira, retomará as atividades de presidente, em gabinete montado no hospital. A previsão é que Bolsonaro tenha alta em dez dias. No entanto, disse o porta-voz, a depender da evolução do quadro do presidente, esse período poderá ser menor.

Como o Estado mostrou no último domingo, para que um paciente submetido a esse tipo de cirurgia tenha alta, é necessário que o intestino volte a funcionar normalmente. A reintroducação alimentar é feita aos poucos e espera-se que o operado volte a evacuar cerca de seis dias depois da cirurgia.

O porta-voz afirmou também que a equipe médica não lhe informou nenhuma limitação física do presidente como decorrência da cirurgia.

Acompanharam Bolsonaro no hospital a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e três dos seus cinco filhos: Eduardo, Carlos e Renan.

Bolsonaro usava a bolsa de colostomia desde o dia 6 de setembro, quando levou uma facada em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

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