Reprodução Twitter/Jair Bolsonaro
Reprodução Twitter/Jair Bolsonaro

Dreno e sonda são retirados de Jair Bolsonaro

Presidente reage bem ao tratamento contra a pneumonia, mas quadro inspira cuidados

Fabiana Cambricoli, Mateus Fagundes e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 16h09
Atualizado 09 de fevereiro de 2019 | 12h46

Após ter uma pneumonia detectada na quarta, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) reagiu ao tratamento e apresentou melhora na sexta. Os bons resultados nos exames laboratoriais e a aceitação de dieta líquida fizeram a equipe médica optar pela retirada do dreno no abdômen e da sonda nasogástrica. O quadro de pneumonia, no entanto, inspira cuidados e exige tratamento de pelo menos sete dias, o que indica que o paciente precisará ficar internado no mínimo até a próxima quarta-feira, quando completará uma semana de uso dos medicamentos contra a doença.

Segundo boletim médico divulgado ontem à tarde pelo Hospital Israelita Albert Einstein, o presidente teve boa evolução clínica e manteve-se sem febre e sem dor. A nota afirmou ainda que Bolsonaro permanece com nutrição parenteral e realizando exercícios respiratórios, de fortalecimento muscular e caminhada fora do quarto.

Além da alimentação intravenosa, o presidente iniciou, na noite de quinta, a ingestão de alimentos líquidos, como gelatina e caldo de carne. No Twitter, Bolsonaro comentou o avanço. “Nas últimas horas tive o prazer de voltar a comer. Estou feliz, apesar de não ser aquele pão com leite condensado kkkk. Bom dia a todos! (sic)”, escreveu.

De acordo com o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, Bolsonaro amanheceu ontem animado e “super disposto”. De acordo com o porta-voz, o paciente ficou muito feliz com a retirada do dreno do abdômen e da sonda nasogástrica. “Ela (a sonda) o incomodava muito”, disse.

Na avaliação de Rêgo Barros, foi o melhor dia que Bolsonaro passou desde a cirurgia para a reconstrução intestinal, em 28 de janeiro. “A evolução dele é positiva. A administração das drogas está fazendo efeito. Os antibióticos ajudaram a debelar o processo da pneumonia”, declarou o porta-voz. 

Embora as visitas ao presidente ainda estejam restritas, Bolsonaro recebeu ontem o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Eles discutiram o programa nacional de segurança da aviação civil contra atos de interferência ilícita. “Eles vão conversar para posterior promulgação de nova legislação”, afirmou Rêgo Barros.

Histórico

Passados 11 dias desde a cirurgia, Bolsonaro vive um pós-operatório complicado, apesar da melhora registrada ontem pela equipe médica. O primeiro revés foi a dificuldade resultante da própria operação. Estimada para levar três horas, o procedimento acabou durando sete horas por causa das inúmeras aderências intestinais encontradas.

No domingo passado, após o presidente apresentar febre, exames detectaram um abcesso na região onde havia a colostomia. Foi colocado um dreno no abdômen para sugar o líquido e iniciado tratamento com antibiótico para tratar o ponto infeccioso.

Na quarta, novo episódio de febre e exames de imagem mostraram a pneumonia, fator de preocupação para qualquer paciente internado, mas que, no caso de paciente maior de 60 anos, como Bolsonaro, que tem 63, requer ainda mais cautela.

“A cada dez pacientes, um ou dois podem evoluir para broncopneumonia pós-operatória, principalmente se for maior de 60 anos. Ao meu entender, é uma complicação não esperada, mas não incomum”, disse o diretor da Clínica Fares e especialista em cirurgia do aparelho digestivo, Ricardo Portieri. “O pós-operatório dele está conturbado. A pneumonia não é grave, mas preocupa”, declarou um médico do Einstein que preferiu não se identificar.

A avaliação dos especialistas leva em consideração que, em casos como os de Bolsonaro, o esperado, quando não há complicações, é que o paciente tenha alta em cerca de sete dias, já comendo alimentos sólidos e evacuando normalmente”. Bolsonaro ficará pelo menos 17 dias no hospital e, até agora, só iniciou a dieta líquida.

Os especialistas ressaltam que a reintrodução alimentar é um bom sinal e pode ajudar na recuperação. “Ele (Bolsonaro) precisa se recuperar com medicação, o que já tem ocorrido, e alimentação. É um bom sinal, portanto, esta evolução da dieta. Se ele aceitar bem o caldo de carne durante 24 horas, ajuda a preparar para uma fase mais cremosa, como um creme de verduras, e pastosa, como purê de batata e carne moída”, disse o gastrocirurgião e professor da Faculdade de Medicina do ABC Eduardo Grecco.

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