Novas gravações comprometem Demóstenes

Novas gravações divulgadas ontem complicam ainda mais a situação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaçado de expulsão pela cúpula do seu partido. Demóstenes recebeu um ultimato do comando do DEM para tentar alguma explicação convincente para o relacionamento com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

ALANA RIZZO, Agência Estado

31 de março de 2012 | 19h07

O democratas teme enfrentar, em pleno ano eleitoral, mais um desgaste político, após ter sobrevivido ao "mensalão do DEM", que implodiu o governo de José Roberto Arruda no Distrito Federal.

Segundo a revista Época, escutas telefônicas, obtidas com autorização da Justiça, mostram a intensa troca de favores entre o senador e o bicheiro Carlinhos Cachoeira até mesmo em licitações da Copa do Mundo.

Em uma dessas conversas, em 11 de abril de 2011, Demóstenes teria pedido ajuda a Cachoeira para que um amigo, dono de uma agência de publicidade, vencesse uma licitação em Mato Grosso. A disputa era para a prestação de serviços de marketing relacionados à Copa.

Demóstenes usaria o cargo de senador também para ajudar o contraventor a resolver pendências do laboratório Vitapan na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a Polícia Federal, Carlinhos Cachoeira é um dos donos da empresa farmacêutica.

Escutas obtidas pela revista Veja mostram também o senador prestando favores a Cachoeira. De acordo com a revista, ao receber um pedido para resolver um problema de um colega no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Demóstenes se oferece para falar com a ministra do Meio Ambiente, com quem diz ter uma boa relação. Ao jornal O Estado de S. Paulo, a ministra Izabella Teixeira disse ter recebido o senador apenas uma vez, durante audiência acompanhada por representantes do Ministério Público, e para tratar de recursos hídricos.

Os grampos obtidos pela revista Veja indicariam ainda a proximidade do grupo do contraventor com o gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. As investigações fazem parte do inquérito da Operação Monte Carlo, remetido ao Supremo Tribunal Federal. O procurador Geral da República, Roberto Gurgel, diz que aguarda o resultado das diligências, solicitadas pelo relator das investigações, ministro Ricardo Lewandowski, para tomar providências.

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