Novas gravações complicam situação de Demóstenes

Novos grampos da Polícia Federal evidenciam ligações do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o grupo acusado de chefiar a máfia dos caça-níqueis em Goiás. O nome do parlamentar é citado em conversas gravadas durante a Operação Monte Carlo, nas quais o empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, se refere a quantias milionárias.

AE, Agência Estado

28 de março de 2012 | 22h53

As gravações, reveladas nesta quarta-feira pelo "Jornal Nacional", da TV Globo, seriam do início do ano passado e mostram Cachoeira, apontado pela PF como o chefe da organização criminosa, conversando com dois integrantes de seu grupo sobre a contabilidade do esquema.

O contador Geovani Pereira da Silva, que seria o responsável pela administração financeira da quadrilha e está foragido, e Cláudio Dias de Abreu, apontado pela PF como sócio de Cachoeira em vários negócios, querem, nas conversas, usar "um milhão" para pagar contas. O contexto das conversas e o destino do dinheiro não ficam claros.

Numa das gravações, Cachoeira pergunta a Abreu quanto dinheiro reteve. Ouve a seguinte resposta: "Um milhão do Demóstenes". Referindo-se ao senador, o empresário de jogos de azar cita valores calcula: "Um milhão e quinhentos mais seiscentos, que dariam dois e cem". Ele cita mais um milhão, que Cachoeira diz ao sócio ter pedido para segurar. Ao fim, fecha a conta em "três e cem".

Cláudio discorda e, usando a expressão "este do Demóstenes", diz que já tinha sido mostrado a ele e que Cachoeira vinha segurando (o dinheiro) desde que o senador ganhou a eleição.

Ao todo, o nome do parlamentar aparece seis vezes nas conversas, com duração de cerca de cinco minutos. Os diálogos integram o material remetido pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a abertura de inquérito para apurar o envolvimento do senador em crimes.

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