Novas denúncias contra Renan aumentam pressão por renúncia

Senadores da oposição ameaçam bloquear pauta de votação após acusação de compra de emissoras de rádio

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

05 de agosto de 2007 | 15h36

As denúncias de uso de intermediários para a compra de duas emissoras de rádio em Alagoas deixaram o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), numa situação mais fragilizada dentro da Casa. Senadores dos partidos de oposição já ameaçam bloquear a pauta de votação, caso Renan não se afaste do comando do Senado.   Veja também: Cronologia do caso Renan    PSOL suspeita de outro negócio de Renan   "Se não renunciar, o Senado deve manter posição e se recusar a votar qualquer matéria", afirmou José Agripino Maia (DEM-RN), líder do partido no Senado. Essa também é a posição de Demóstenes Torres (DEM-GO). "Acho que agora temos que trabalhar politicamente para ele sair da Presidência do Senado. Não dá mais. Juridicamente ele se estatelou, mas enquanto ele resiste é ruim para o Senado, porque tudo está parado. Ninguém quer votar nada com ele na Presidência", comentou o senador goiano.   Para Torres, as novas denúncias envolvendo o nome de Calheiros são mais graves do que as anteriores, quando o senador foi acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. Cláudio Gontijo, funcionário da empresa, é acusado de ter pago pensão e aluguel para a jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha.   "As novas denúncias são ainda piores. Da primeira vez, foi o próprio Renan que juntou os documentos para incriminá-lo, mas agora as denúncias estão lastreadas. A história está pronta e acabada, com começo, meio e fim", afirmou Torres.   Ele lembrou que João Lyra, usineiro e ex-deputado federal pelo PTB, confirmou que foi sócio de Renan no negócio para compra de empresas de comunicação. O negócio envolveu recursos de R$ 1,3 milhão. Parte do dinheiro usado na compra das empresas de comunicação foi emprestado por Lyra a Renan. A dívida foi paga pelo senador em parcelas e em dinheiro vivo, muitas vezes em dólar. O objetivo de Calheiros era usar as empresas para conseguir se eleger para o governador de Alagoas.   Renato Casagrande (PSB-ES), um dos relatores do processo contra Calheiros que tramita no Conselho de Ética, admitiu que as novas denúncias são graves e disse que elas precisam ser investigadas. Para ele, a comissão que já investiga a situação de Renan pode avaliar as novas denúncias. "Há uma correlação entre elas, uma vez que se discute o patrimônio do senador", afirmou. Mas Torres disse que o partido vai entrar com uma nova representação contra o senador Calheiros, assunto que foi tratado ontem por ele com o presidente do partido na Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ) e com o líder Agripino. "Isso tem que ser rápido. Não podemos perder tempo", afirmou.   Enquanto cumprem os trâmites burocráticos para dar seqüências às investigações, os senadores prometem manter Calheiros sob pressão. "Politicamente nós temos que agir para tratar do afastamento dele o mais rápido possível", afirmou Torres. Agripino acrescentou que a situação do presidente do Senado se agrava a cada dia. Ele lembrou o roubo de documentos do Frigorífico de Alagoas (Mafrial) que comprou animais fornecidos pelas fazendas de Calheiros. "Foi um roubo curiosíssimo", resumiu. O roubo aconteceu na semana passada, logo após a retomada dos trabalhos no Legislativo. Na sexta-feira, o secretário-geral da Associação Autônoma dos Fornecedores de Carne de Alagoas, João Baptista, disse que o assalto pode organizado por pessoas interessadas em extraviar documentos comprometedores que revelariam transações irregulares no comércio de bois.

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