Novas datas do vestibular serão de comum acordo

Isolado politicamente e criticado por insistir na manutenção do conturbado vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o reitor José Henrique Vilhena voltou atrás e decidiu anular o concurso, após reunir-se com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, no Rio.Nota oficial da Reitoria divulgada no início da noite desta quinta-feira, logo após a reunião, informou que ?diante da preocupação manifestada pelo governador Anthony Garotinho quanto à segurança dos candidatos e das informações transmitidas pela comissão de vestibular, depois dos incidentes de domingo passado, o reitor decidiu anular a presente edição do concurso.?Ainda de acordo com a nota, ?as novas datas deverão ser definidas após ampla consulta a todos os envolvidos, levando em conta o menor prejuízo possível para todos os candidatos.??O que o ministério exige é que o direito dos alunos seja preservado, que haja o vestibular. A data será afixada pela universidade, no momento em que achar mais oportuno?, afirmou Paulo Renato Souza, que disse ainda ter ?recomendado pessoalmente? a Vilhena que acatasse a decisão do Conselho de Ensino de Graduação (Ceg) da UFRJ ? que já havia desconsiderado as provas do último domingo e decidido remarcar os exames para os dias 22 e 27 de janeiro e 3 de fevereiro.?Foi o Ceg que decidiu, ele (Vilhena) só acatou. Não é o reitor que decide, ele só oficializa, conforme diz o edital do concurso?, disse a professora Ângela Gonçalves da Silva, que integra o Ceg.Nesta quarta-feira, ela presidiu a seção entre o conselho e a comissão executiva do vestibular que aprovou o cancelamento da prova de domingo e o adiamento.Informado da anulação pelo Estado, o presidente da Associação de Docentes da UFRJ, José Henrique Sanglard, achou que a decisão ?veio um pouco tarde?.?Ele (o reitor) deveria ter reconhecido antes de domingo que não havia condições para a realização da prova, evitando o absurdo da invasão do campus pela Polícia Militar e o espancamento de alunos, professores e funcionários?, afirmou Sanglard.Apesar da decisão, ele disse que será mantido o movimento que pede o afastamento do reitor. Duzentos professores já assinaram o abaixo-assinado que solicita ao ministro Paulo Renato Souza a saída de Vilhena.O presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), Emerson Carvalho, disse que o importante agora é que o vestibular transcorra com tranqüilidade. ?Ainda bem que ele (Vilhena) deu um passo para trás. Pena que tanta coisa teve de acontecer para ele reconhecer que estava totalmente isolado dentro da universidade.?A UEE havia entrado com ação na Justiça pedindo o adiamento das provas. A estudante Fernanda Menezes, de 18 anos, considerou acertado o cancelamento. ?Achei que a decisão foi justa. Se não fosse anulada, alguns seriam privilegiados.?Nesta quinta-feira à tarde, antes da oficialização do cancelamento do concurso, o conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) Aurélio Vander Bastos, especialista em direito educacional, afirmara que o reitor não teria como manter as provas do vestibular nos dias 11 e 18 de novembro e remarcar somente os exames dos 14.520 candidatos dos grupos dois e quatro ? as mesmas áreas dos 570 vestibulandos que fizeram prova no domingo no Colégio de Aplicação da UFRJ, onde provas foram rasgadas.?O artigo 28 do edital é suficiente para que a comissão executiva dê divulgação à deliberação do Ceg?, afirmou o advogado. O item 28 diz que ?a comissão executiva do concurso de seleção fará divulgar, sempre que necessário, normas complementares e avisos oficiais.?O Procurador-Geral da UFRJ, Alexandre Cintra, entregou nesta quinta-feira à Polícia Federal provas para dar continuidade ao inquérito policial que apura os responsáveis pelos tumultos ocorridos no último domingo, quando estudantes e servidores federais foram agredidos por policiais militares.Entre os documentos estão o registro de ocorrência da 14ª Delegacia Policial (Leblon), a cópia do relatório interno da universidade e três fitas de vídeo.

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