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A polícia do Suriname deteve na quarta-feira, 30, mais seis pessoas suspeitas de participação nas agressões a brasileiros na região de Albina, segundo o embaixador do Brasil no país, José Luiz Machado e Costa.

31 de dezembro de 2009 | 09h49

 

De acordo com o embaixador, com as detenções, subiu para 41 o número de detidos suspeitos de envolvimento nos conflitos. Entre os presos estaria o principal assessor do prefeito de Albina.

 

"Tivemos notícias de que foi detido o assessor principal do prefeito de Albina, o que indica o comprometimento das autoridades em apurar a situação", disse ele à Agência Brasil.

 

Nesta quarta-feira, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) partiu em direção ao Suriname para resgatar outros brasileiros que querem deixar o país depois do conflito com quilombolas.

 

O apoio da FAB é resultado de um pedido do Itamaraty, que planeja levar os brasileiros para a cidade de Belém, no Pará.

 

Estima-se que 80 brasileiros tenham sido atacados por um grupo de marrons (etnia local, descendente de escravos africanos). A onda de violência seria uma represália ao suposto assassinato de um surinamês por um brasileiro.

 

O governo brasileiro ainda não teve a confirmação de nenhuma vítima fatal, mas algumas testemunhas falam em quatro assassinatos e em pessoas ainda desaparecidas.

 

'Incomunicáveis'

 

Em nota divulgada na terça-feira, o Itamaraty diz que a grande maioria dos brasileiros que vivem na região de Albina trabalham em garimpos no interior do Suriname e da Guiana Francesa e que "costumam passar semanas na floresta, incomunicáveis".

 

Por esse motivo, diz o comunicado, "é necessário aguardar antes de considerar desaparecido qualquer desses cidadãos". Segundo o Itamaraty, a chanceler do Suriname, Lygia Kraag, expressou "profunda desolação do governo do Suriname em relação ao ocorrido".

 

Durante uma reunião com o embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa, a chanceler teria ainda "manifestado a perplexidade do povo e do governo do país com o fato de um desentendimento individual ter gerado convulsão desse porte".

 

Ainda de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a chancelaria do Suriname "declarou que o governo tomará todas as providências necessárias para que fato similar não venha a se repetir". O Itamaraty informou que continua "buscando informações" sobre o ocorrido na véspera do Natal.

 

O governo do Brasil cobrou do Suriname alerta máximo para evitar que as novas ameaças a brasileiros, que estão em áreas de garimpo no país vizinho, se concretizem.

 

Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador Machado e Costa classificou os ataques aos brasileiros na véspera do Natal como "atos de selvageria e de violência extrema". "Jamais minimizamos a gravidade de tudo o que ocorreu. Agora trabalhamos para administrar a crise e dar assistência às vítimas e suas famílias", disse ele

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