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Dilma erra na economia desde 2005

A política econômica de Dilma Rousseff não começou com sua posse como presidente em 1.º de janeiro de 2011. Na verdade, é preciso recuar para novembro de 2005, quando a então ministra da Casa Civil classificou como “rudimentar” o plano de ajuste fiscal de longo prazo proposto por Antonio Palocci e Paulo Bernardo, que eram ministros, respectivamente, da Fazenda e do Planejamento no primeiro mandato de Lula.

Fernando Dantas, O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2016 | 10h23

Não foi mera opinião. Depois de passar pelo Ministério de Minas e Energia de 2003 a 2005, Dilma foi para a Casa Civil já como parte do duplo processo de ganhar a admiração de Lula pelos supostos dotes gerenciais e de ganhar poder dentro do governo pela crescente proximidade com o presidente. O ‘rudimentar’ foi a senha para demolir a proposta da área econômica.

A partir de 2006, com a chegada de Guido Mantega à Fazenda, a política econômica iniciou gradativamente sua guinada heterodoxa. Paralelamente, cresciam o prestígio e o poder de Dilma junto a Lula. É difícil dizer o quanto a ministra-chefe da Casa Civil contribuiu para a mudança econômica, mas certamente não foi irrelevante. A alteração do modelo do petróleo para o pré-sal, por exemplo, tem as digitais de Dilma.

A crise global de 2008 e 2009 fez com que o governo dobrasse a aposta em estímulos à demanda e em intervenções na economia privada. O BNDES foi abarrotado de recursos do Tesouro e partiu para criar as “campeãs nacionais”. A megalomania e a ideologia do conteúdo nacional juntaram-se para fomentar negócios desastrosos como a Sete Brasil.

Chegando à Presidência em 2011, Dilma, economista heterodoxa de formação, resolveu ir mais fundo na mesma estratégia, depois de breve período de digestão dos excessos eleitoreiros de 2010. Em agosto de 2011, o BC baixou inesperadamente a Selic, momento emblemático da “nova matriz econômica”, que buscou administrar câmbio e juros ao mesmo tempo em que aprofundava o intervencionismo e as renúncias tributárias.

Os resultados esperados não vieram. A inflação elevou-se, surgiu um rombo externo e abriu-se outro, fiscal. A economia entrou em marcha lenta. A ocultação e o represamento dos problemas até o fim do ano eleitoral de 2014 levaram à hecatombe fiscal e econômica de 2015 e 2016. A tentativa desesperada de chamar Joaquim Levy, um ortodoxo, não funcionou.

Curiosamente, em meio aos escombros da herança econômica maldita de Dilma para Temer, há um raio de sol: apenas consertar o festival de erros que ela presidiu já fará diferença.

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