Nova investigação da PF acha mais indícios contra Dantas

Relatório parcial reforçaria denúncia de lavagem, evasão de divisas, fraudes e formação de quadrilha

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo,

13 de novembro de 2008 | 01h45

 A Polícia Federal chegou a novos indícios sobre atividades supostamente ilícitas envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, alvo maior da Satiagraha - operação de combate a esquema de lavagem de capitais, evasão de divisas, fraudes financeiras e formação de quadrilha.   Veja também: Presidente da CPI dos Grampos quer prorrogar trabalhos Especial explica a Operação Satiagraha Multimídia: As prisões de Daniel Dantas Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil   Relatório parcial produzido pela PF e entregue à Justiça reforça as suspeitas sobre o controlador do Grupo Opportunity, que já havia sido formalmente indiciado em julho pelo delegado Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha.   Na ocasião, quando enquadrou Dantas, o delegado o rotulou de "capo" de organização criminosa que movimentou US$ 1,9 bilhão em paraísos fiscais. Além de Dantas foram indiciados 13 aliados seus, inclusive Verônica, sua irmã, a quem o delegado classificou de "cabeça da organização, uma espécie de subchefe central, figura como sócia-gerente e cotista em mais de duas centenas de empresas vinculadas ao grupo".   O novo documento, subscrito pelo delegado Ricardo Saadi - sucessor de Protógenes na Satiagraha - , chegou sexta-feira às mãos do juiz Fausto Martin De Sanctis, titular da 6ª Vara Criminal Federal.   De Sanctis já conduz uma ação penal contra Dantas, acusado de corrupção ativa - segundo a PF, ele teria tentado subornar um de seus delegados, Victor Hugo Alves, com US$ 1 milhão em troca do engavetamento do inquérito contra o Opportunity. Também está sob responsabilidade do juiz o inquérito sobre o banco, que, em setembro, teve R$ 525 milhões bloqueados.   Ao contrário do que declarou terça-feira o ministro da Justiça, Tarso Genro, segundo o qual o inquérito Satiagraha estaria sendo refeito, a PF informou que está cumprindo um "processo de aperfeiçoamento" do que já havia sido realizado.   O relatório é alentado, informou autoridade que a ele teve acesso. Essa mesma autoridade destacou que os novos elementos juntados aos autos aprofunda a investigação, reforça bastante o que já foi produzido.   O parecer foi montado a partir da análise de documentos bancários e contábeis recolhidos na madrugada de 8 de julho, quando Satiagraha foi às ruas, e em alguns depoimentos tomados nesses últimos três meses.   Não é definitivo porque os peritos federais ainda não conseguiram fazer a leitura completa dos HDs recolhidos em endereços do grupo sob suspeita.   Sigilo rigoroso cerca essa etapa dos trabalhos da PF. O delegado Ricardo Saadi, especialista em investigações sobre crimes financeiros, não se manifesta sobre o avanço da apuração. Nem o juiz, nem o Ministério Público Federal se pronunciam.   O relatório de Saadi é o primeiro da era pós-Protógenes, que foi afastado do caso em meio a uma turbulência sem igual na cúpula da PF.   Seu ato derradeiro foi um relatório de 152 páginas, por meio do qual afirmou: "É nele (Dantas) que se concentram todas as decisões em se tratando de estratégias, investimentos, aporte de recursos ou qualquer saída dos respectivos caixas do Grupo Opportunity."   A linha de investigação da PF, nesse momento, não foge ao que já havia sido registrado. A meta é indiciar Dantas por lavagem de dinheiro.   "Essa é uma tentativa de salvar um trabalho sem valor algum", reagiu o criminalista Nélio Machado, que comanda a defesa de Dantas. "Trata-se de um inquérito inservível, imprestável, investigação feita a partir da invasão de e-mails do banco e de advogados."   A nova etapa, disse, "é apenas uma metástase naquela investigação, a avaliação é subjetiva e unilateral". Ele destacou que as atividades do Opportunity "sempre foram reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central". "O novo relatório pode ser alentado apenas pelo volume de papéis, é apenas mais um capítulo de uma devassa que vem há anos. Não assusta em nada."

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