Nova investigação contra Dilma dá fôlego para a oposição

Iniciativa do ministro Gilmar Mendes para apurar contas de 2014 da presidente mobiliza grupos pró-impeachment

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2015 | 03h00

Avaliação preliminar de deputados da oposição e de líderes das manifestações de rua contra Dilma Rousseff é de que o pedido de investigação feito anteontem à noite pelo ministro Gilmar Mendes fortalece os grupos que atuam pelo impeachment da presidente.

Gilmar Mendes, que é ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao Ministério Público e à Polícia Federal uma investigação nas contas relativas à campanha eleitoral de Dilma no ano passado.

Entre as suspeitas do ministro está a de que o financiamento da campanha possa ter contado com recursos oriundo dos desvios na Petrobrás. Por ser uma empresa de capital misto (recursos públicos e privados) a petroleira é vedada de financiar campanhas eleitorais. “As doações contabilizadas parecem formar um ciclo que retirava os recursos da estatal, abastecia contas do partido, mesmo fora do período eleitoral, e circulava para as campanhas eleitorais”, escreveu o ministro. Além disso, Mendes lança suspeita de que houve uso de recursos publicitários para financiamento da campanha, o que é vedado pela legislação.

Reservadamente, líderes da oposição reconhecem que a iniciativa de Mendes vai dar fôlego extra às investidas na direção de um pedido de impeachment.

 

Deputados da oposição aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tentam, inclusive, articular com ele uma estratégia para diminuir o desgaste do presidente da Câmara diante de um pedido de impeachment da presidente.

A ideia é que Cunha não seja acusado de usar a máquina da Câmara para se vingar do governo. Assim, o peemedebista arquivaria um dos pedidos protocolados na Câmara ou um novo, a ser apresentado pelo bloco oposicionista. Ato contínuo, um parlamentar entraria com recurso da decisão, o que levaria o caso ao plenário da Casa. Os deputados, então, decidiriam por maioria simples se o processo de impedimento avançaria ou iria para a gaveta.

Ruas. Os deputados do bloco de oposição ao governo federal na Câmara estão sendo pressionados pelos grupos que organizaram as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff a assumir a bandeira do impeachment.

“A demora do Cunha (em acolher o pedido de impeachment) se deve à postura pouco corajosa da oposição. Em qualquer país sério processo já teria começado”, afirma Kim Kataguiri, um dos líderes do Movimento Brasil Livre. O grupo criou um site no qual contabiliza os votos contrários e favoráveis ao impedimento. No espaço eles também divulgam o telefone, e-mail e o endereços dos gabinetes dos deputados. Em outra frente, representantes do grupo circulam no Congresso “caçando” parlamentares com uma câmera na mão. Os que se dizem contrários ao impedimento ou se mostram indecisos são alvo de protestos pontuais em suas bases.

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