Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
ADRIANO MACHADO|REUTERS
ADRIANO MACHADO|REUTERS

Nova fase da Lava Jato e Silvinho preocupam Planalto

O 'núcleo duro' do Palácio do Planalto avaliou a nova fase da Operação Lava Jato, nesta sexta-feira, como mais uma tentativa do juiz Sérgio Moro de envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novo escândalo

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2016 | 16h38

Brasília - O “núcleo duro” do Palácio do Planalto avaliou a nova fase da Operação Lava Jato, nesta sexta-feira, como mais uma tentativa do juiz Sérgio Moro de envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novo escândalo, um dia depois da decisão do Supremo Tribunal Federal de manter na Corte todas as investigações sobre o petista. Embora o discurso oficial seja o de que Moro está “politizando” a Lava Jato, há no Planalto uma preocupação com denúncias que possam aparecer às vésperas da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara.

No caso em questão, o “imponderável” tem nome e sobrenome: Silvio Pereira, personagem de destaque no escândalo do mensalão, em 2005. Conhecido como Silvinho, o ex-secretário-geral do PT era o homem que tinha em mãos o mapa dos cargos no início do primeiro mandato de Lula, em 2003, e atuava em dobradinha com o então ministro da Casa Civil José Dirceu, preso pela Lava Jato. Silvinho foi detido nesta sexta-feira e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares – preso na época do mensalão – foi alvo de condução coercitiva, obrigado pela Polícia Federal a depor.

Ministros do PT que conhecem Silvinho disseram ontem à presidente que ele não resiste à mínima pressão e pode até “inventar” coisas para se salvar. Para o Ministério Público Federal, o esquema de corrupção na Petrobrás é mais um braço do mensalão. Em janeiro, o delator Fernando Moura afirmou, em acordo de delação premiada, que Silvinho recebia das empreiteiras OAS e UTC Engenharia um “cala boca” de R$ 50 mil mensais para não contar tudo o que sabia.

Moura contou ao Ministério Público que Roberto Marques, o Bob, ex-assessor de Dirceu, pediu a ele que “protegesse” Silvinho. Questionado sobre o motivo, o delator disse: “Não sei, o problema do Sílvio com o PT é muito forte porque todo esse processo que foi feito de Petrobrás quem começou foi o Sílvio.”

Na busca de votos para barrar o impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados, o governo faz de tudo para manter distância de mais turbulências, pois qualquer fato com potencial de desgaste provoca instabilidade e pode agravar a crise política.

O Planalto está confiante no julgamento do Supremo que decidirá sobre a nomeação de Lula na Casa Civil, nos próximos dias, mas teme que novas delações esbarrem no ex-presidente e atinjam Dilma. No PT o comentário é que o juiz Moro vai levar a Lava Jato no mínimo até as eleições municipais de outubro, por causa do impacto das investigações sobre as disputas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.