Nova Executiva do PT isola Marta e abre guerra interna

Berzoini foi reeleito e Tatto não aceita participar em outra função: 'É a refundação do Campo Majoritário', diz

Denise Madueño, da Agência Estado,

09 de fevereiro de 2008 | 17h39

A eleição da Executiva Nacional do PT, ontem, provocou reclamações e polêmica e, ao contrário da divulgada unidade, o partido deverá enfrentar um bom período de guerra interna. A chapa que reelegeu o presidente da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP), e que tem maior força no partido excluiu o grupo do deputado Jilmar Tatto (SP) dos principais cargos de comando, cedendo mais espaço para o grupo do deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT), eleito ontem secretário-geral, e do ministro da Justiça, Tarso Genro. A composição da Executiva enfraquece a ministra do Turismo, Marta Suplicy, ligada a Tatto. Na renovação petista, Marta deixou de integrar o Diretório Nacional.  Para petistas ligados a Tatto, a pequena representação do grupo é uma estratégia da ala majoritária para as eleições de 2010. Com o apoio de seu grupo na Executiva, Marta poderia crescer na disputa pela candidatura petista à Presidência da República.  Na eleição para a presidência do partido, em dezembro, Cardozo ficou atrás de Tatto, formando a terceira força do PT.  Nenhum dos três principais cargos da Executiva - Secretaria-Geral, Secretaria de Organização e Secretaria de Finanças - ficou com o grupo de Tatto. O deputado, em reação, não aceitou participar da Executiva em outra função. "Não vou participar de uma direção manca, sem unidade partidária", reclamou. A Executiva foi eleita pelo diretório que tomou posse ontem com 51 votos contra 28.  Refundação Tatto classificou a eleição de "refundação do Campo Majoritário", a tendência que comandou o PT nos últimos anos. Com 20% dos votos dos petistas na eleição direta em dezembro, a ala de Tatto teve sua representação na Executiva reduzida. O grupo tinha duas das três vice-presidências e a Secretaria de Organização no comando anterior, mas acabou agora com a Secretaria de Assuntos Institucionais, com menor expressão, e uma vice-presidência.  Ele lembrou que o grupo de Cardozo e de Tarso era o mais crítico à direção de Berzoini e ironizou o fato de eles estarem juntos. "É como se fosse a união de Tarso com José Dirceu", afirmou Tatto.  Cardozo negou que tenha havido acordo entre as duas chapas, a dele e a de Berzoini, para compor os cargos de comando. "Não fizemos pacto nenhum com eles", afirmou o novo secretário-geral do PT. "Houve uma avaliação política de que seria necessária uma reordenação de forças", disse Cardozo.  Petistas avaliam que a exclusão do grupo de Tatto foi uma estratégia para sinalizar que o partido procura composição com grupos que têm posição mais visível na defesa da ética.

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