Nova entidade nasce com 361 sindicatos

União Geral dos Trabalhadores vai fundir associados à SDS, CGT e CAT

O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2007 | 05h37

Nasce hoje a quarta central sindical brasileira, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), um produto híbrido. Num congresso de três dias, se juntarão a Social-Democracia Sindical (SDS), até aqui presidida por Enilson Simões de Moura, o Alemão; a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) de Antônio Carlos dos Reis, o Salim; e a Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) de Laerte Teixeira da Costa. O presidente da UGT será Ricardo Patah, ex-tesoureiro da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.A SDS tem, segundo o Ministério do Trabalho, 161 sindicatos filiados (4,7% das filiações); a CGT tem 152 (4,5%); e a CAT, 48 (1,4%). A UGT nasce com 361 sindicatos e 10,6% das filiações. Mas logo reforçará seus quadros com duas importantes adesões - o Sindicato dos Comerciários de São Paulo e o Sindicato dos Padeiros de São Paulo.LADO FRACOMas poderá ter um lado fraco: no meio sindical, todos dizem que a junção das centrais antigas foi pró-forma, para atender às exigências do projeto do governo e que Alemão, Salim e Laerte continuarão dando as cartas em suas áreas de influência. Patah diz que a nova central será muito forte no setor de comércio e serviços. No seu congresso de fundação, a UGT programou uma homenagem a antigos líderes sindicais brasileiros, como Clodsmith Riani (líder da CGT em 1964), Hércules Corrêa, Roberto Morena, José Raimundo da Silva, Luiz Tenório de Lima, Lindolfo Silva (todos líderes do extinto PCB) e Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão (presidente da velha CGT por muitos anos). Ao lado desses sete, na galeria dos homenageados, estará Luiz Inácio Lula da Silva, que sempre manteve considerável distância dos comunistas. Mas Lula não irá ao congresso e será representado pelos ministros Luiz Marinho e Luiz Dulci.Davi Zaia diz que o meio sindical está aberto à criação de uma nova central sindical: "A CUT tem um problema sério, não consegue fazer oposição ao governo", observa. Ele afirma que esse atrelamento da CUT ao governo vai favorecer a UGT e atrair muitos sindicatos da área bancária. Mas Zaia não quer briga com os outros: pelo contrário, planeja construir com a rival CUT novas experiências semelhantes à mesa de negociação salarial única dos bancários, comandada pelos petistas e pelas centrais agora encampadas pela UGT.

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