Nova CPI da Petrobrás começa sob tensão

Comissão tem início em meio à expectativa de pedidos de inquéritos criminais contra políticos

DANIEL CARVALHO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2015 | 02h03

Em um ambiente desfavorável ao governo, a Câmara instala hoje a comissão parlamentar de inquérito que vai investigar na Casa o esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás. O PT vai ocupar a relatoria da CPI, que tem uma composição relativamente equilibrada entre governistas e oposicionistas. Mas o clima entre os deputados é tenso.

A CPI será instalada em meio a uma base aliada desarticulada e na iminência dos pedidos da Procuradoria-Geral da República de investigação ou mesmo denúncias contra os parlamentares.

Levantamento feito pelo Estado aponta que dos 27 integrantes da CPI, 12 apoiaram Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais de 2014 e nove apoiaram o senador Aécio Neves (PSDB). Estiveram com Dilma: João Carlos Bacelar (PR-BA), Leônidas Cristino (PROS-CE), Paulo Magalhães (PSD-BA), Silas Câmara (PSD-AM), Valmir Prascidelli (PT-SP), Luiz Sérgio (PT-RJ), Afonso Florence (PT-BA), Lázaro Botelho (PP-TO), Cacá Leão (PP-BA), Hugo Motta (PMDB-PB), Celso Pansera (PMDB-RJ) e Félix Mendonça Júnior (PDT-BA ).

Aécio foi apoiado por Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Paulo Pereira da Silva (SD-SP), André Moura (PSC-SE), Bruno Covas (PSDB-SP), Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Júlio Delgado (PSB-MG), Otavio Leite (PSDB-RJ), Rodrigo Martins (PSB-PI), Eliziane Gama (PPS-MA) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

Dois se colocaram como independentes: Ivan Valente (PSOL-SP) e Altineu Côrtes (PR-RJ). Os deputados Edio Lopes (PMDB-RR) e Kaio Maniçoba (PHS-PE) não foram localizados. Ainda falta uma vaga a ser indicada pelo bloco do PMDB.

Mesmo quem apoiou Dilma promete postura "independente" na CPI. "Apoiei Dilma porque sou do Amazonas e o meu Estado foi contemplado com uma movimentação de governo que prorrogou o polo industrial de Manaus por 50 anos e a gente não rema contra a maré. Mas isso não quer dizer que sou governista", diz o deputado Silas Câmara (PSD-AM), um dos integrantes da CPI.

"O ambiente político de disputa é natural da democracia, do parlamento e da CPI. Há um ambiente para além da mera demarcação de posição política, (mas) há também aspectos a serem investigados no âmbito da CPI", avalia o deputado Afonso Florense (PT-BA), que também integra a comissão.

Base. Para agravar ainda mais a situação, o Palácio do Planalto vive sua maior crise com o PMDB, segunda maior bancada da Câmara e ocupante da presidência da CPI, com o deputado Hugo Motta (PMDB-PB). Ao contrário do ano passado, quando foi instalada uma comissão mista e o governo tinha apoio peemedebista no Senado, esta CPI acontecerá apenas na Câmara, ambiente onde a base está esfacelada.

No início da semana, no entanto, o PT fez acenos ao PMDB em busca de uma reaproximação e recebeu em troca a relatoria da comissão, que será ocupada pelo ex-ministro de Relações Institucionais do primeiro governo Dilma Rousseff, Luiz Sérgio (PT-RJ).

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