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Nova campanha do Governo diz que nazismo e comunismo foram ‘maior mal do mundo’

Filme publicitário tem como mote o slogan ‘Um povo heroico’ e foi lançado pelas comemorações do 7 de Setembro

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 22h08

BRASÍLIA – O governo Jair Bolsonaro afirma, em nova campanha publicitária, que o nazismo e o comunismo foram “o maior mal do mundo moderno”. A propaganda foi divulgada nesta sexta-feira, dia 4, pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom).

O filme publicitário, estrelado pelo ator Mário Frias, secretário especial da Cultura, tem como mote o slogan “Um povo heroico” e foi lançado pelas comemorações do 7 de Setembro, data da independência do Brasil. Com estética soturna, o vídeo apresenta Frias circulando entre peças de museu, como telas e bustos de figuras históricas da República, e consultando a antiga Constituição dos “Estados Unidos do Brasil”. Em tom de conversa intimista, com apelo emocional da trilha sonora, eles encara e desvia o olhar da câmera para interpretar um texto com trechos do Hino Nacional.

A campanha vai falar sobre “heróis anônimos” do presente e heróis do passado, brecha que o governo usou para fazer ecoar uma crítica comum entre eleitores do presidente, por meio da menção aos soldados da Força Expedicionária Brasileira enviados para lutar na Europa ao lado dos aliados contra o Eixo, liderado pelos nazistas alemães.

“Lembraremos os Pracinhas que combateram a tirania do nazismo (maior mal do mundo moderno, ao lado do comunismo). Por fim, falaremos de grandes heróis nacionais, que moldaram nossa História e nossa identidade, deixando legados eternos”, antecipa a Secom, em mensagem publicada no perfil oficial no Twitter.

A comparação é frequentemente usada por apoiadores do presidente para criticar genocídios ocorridos no Século XX e assim atingir partidos de esquerda no Brasil – por proibição legal, o País não tem um partido nazista. Integrantes do governo Bolsonaro costumam associar o regime nazista à esquerda, o que é considerado um erro por historiadores.

O nazismo, liderado pelo alemão Adolf Hitler entre 1934 e 1945, foi uma doutrina totalitária fascista que governou a Alemanha, de cunho nacionalista e de direita, tendo como traço definidor a supremacia da raça ariana. O Reich do ditador Hitler promoveu perseguições e extermínios em massa, como o Holocausto judeu. O regime nazista foi derrotado na Segunda Guerra Mundial, com participação dos soviéticos.

Base da Revolução Russa de 1917, o comunismo foi teorizado por Karl Marx e Friedrich Engels, como uma ideologia política e modo de organização socioeconômica que tem como objetivo a superação do capitalismo, rumo a uma sociedade sem classes, e a propriedade coletiva dos meios de produção. Inspirou a formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e a ditadura de Josef Stalin (1924 – 1953). 

A ideologia ainda motiva partidos de esquerda pelo mundo, entre eles o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ambos de oposição a Bolsonaro, mas só o último com representantes no Congresso.

Filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) propôs nesta semana criminalizar a apologia ao comunismo. É crime punível com até cinco anos de cadeia fazer divulgação do nazismo no Brasil, por meio de símbolos como a suástica. O deputado disse ter se inspirado em lei da Ucrânia que criminalizaria o comunismo e o nazismo. Ele já havia apresentado projeto de lei semelhante antes, mas a ideia nunca avançou.

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