Nota minimiza declaração de ex-diretor

Oposição já fala em quebra de decoro e volta a insistir em afastamento

Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o ex-diretor de recursos humanos da Casa, Ralph Siqueira confirmaram neste sábado que os atos secretos ("não publicados", segundo eles) foram descobertos em maio. Ou seja, naquele mês, o senador já sabia da existência de boletins sigilosos. Os dois tentaram, por meio de notas, amenizar a contradição disso com o discurso em que Sarney diz, no dia 16 de junho, que não sabia o que era ato secreto. Em entrevista gravada ao Estado, Siqueira disse na sexta-feira que avisou Sarney da descoberta dos atos secretos num encontro entre 28 e 29 de maio: "Comuniquei que havia sido nomeada essa comissão da qual eu participava e que havia indícios de omissão deliberada. Era meu dever falar ao presidente o que já tinha falado ao diretor-geral. Ele disse para investigar tudo. O primeiro-secretário já sabia de um ato que elevava a remuneração dos chefes de gabinete administrativos. E comuniquei isso ao presidente. Ele disse que iria providenciar a anulação desse ato."Ontem, ele reafirmou o encontro com Sarney, incluindo, desta vez, além do indício de sigilo proposital, a possibilidade de "erro técnico": "Disse ao repórter que, entre os dias 28 e 29 de maio, após a criação da Comissão de Sindicância para efetuar o levantamento dos Boletins de Pessoal publicados no Senado Federal, comuniquei ao presidente Sarney, na condição de diretor da Secretaria de Recursos Humanos, que iria integrar a comissão e que ela levantaria a quantidade de boletins antigos que haviam sido disponibilizados na rede pela Secretaria de Recursos Humanos, bem como apuraria se a falta desses boletins na rede teria ocorrido por erro técnico ou por omissão deliberada", afirmou na nota.Sarney confirmou também outra declaração dada por Siqueira: a de que todos os atos foram publicados, sem alarde, entre abril e maio deste ano. A manobra só foi revelada em reportagem do Estado no dia 10 de junho. Em sua nota, Sarney não explica os motivos que levaram a administração da Casa a inserir mais de 500 atos secretos de maneira encoberta e sem qualquer investigação preliminar, mas afirma que a declaração de Siqueira "não constitui nenhuma novidade."AFASTAMENTOA notícia de que o presidente do Senado sabia da existência dos atos secretos reforçou o discurso da oposição em favor do afastamento do peemedebista. A avaliação é a de que fica caracterizado mais um indício de quebra de decoro parlamentar, já que Sarney mentiu ao dizer da tribuna que não sabia o que era um ato secreto. "Se este fato se comprovar, está caracterizada a quebra de decoro. Para nós, este elemento sozinho já seria suficiente", reagiu ontem o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que vai discutir o assunto com a bancada na próxima semana. COLABOROU CLARISSA OLIVEIRA

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