Valter Campanato/AGência Brasil
Valter Campanato/AGência Brasil

Nossos aliados não podem esperar, diz Lacerda ao lançar candidatura em MG

Ex-prefeito de Belo Horizonte disputará governo do Estado sem apoio do PSDB e do PT e descarta ser vice

Leonardo Augusto, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 19h07

BELO HORIZONTE- Pela primeira vez em sua carreira política, o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) vai disputar uma eleição sem o apoio de pelo menos um de seus padrinhos políticos, o governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), e o senador Aécio Neves (PSDB). Lacerda, depois de articulações que se intensificaram ao longo de julho, anunciou hoje, 31, que não será vice de Ciro Gomes (PDT) na disputa pelo Palácio do Planalto, e que decidiu brigar pelo Palácio Tiradentes, a sede do governo mineiro.

A decisão foi tomada por uma questão, basicamente, de tempo, segundo Lacerda. A convenção do PSB estadual para sacramentar o nome do ex-prefeito como candidato ao governo de Minas acontece no sábado, 4, em Belo Horizonte. Já a convenção nacional do partido está marcada para o dia seguinte, domingo, 5, em Brasília. "Nossos aliados não podem esperar que uma decisão tomada no sábado fosse revertida no domingo. Isso não seria viável politicamente nem pessoalmente", afirmou Lacerda.

O ex-prefeito disse ainda que, ao longo de julho, conversas entre as cúpulas das duas legendas tiveram datas alteradas por duas vezes. A primeira marcação foi para 19 de julho. Depois, para o dia 30 do mesmo mês. Na sequência, conforme Lacerda, ficou acertado que tudo seria decidido na convenção do dia 5. O ex-prefeito afirmou que não havia nenhuma decisão de que poderia ser vice de Ciro, mas apenas "uma hipótese aventada pelos dois partidos". "Quando isso chegou, minha resposta foi que eu era candidato ao governo de Minas e que o assunto seria decidido em conjunto, com aliados e apoiadores."

Lacerda afirmou não saber avaliar se sua decisão terá impacto nas articulações nacional e regionais de seu partido com outras legendas, inclusive o PT. "A convenção vai decidir se o PSB apoiará o PT, o PDT ou se ficará neutro na disputa presidencial. O que existe hoje é bastante apoio do PDT a candidaturas do PSB". Em Minas, segundo Lacerda, já o apoiam na disputa pelo governo o PDT e o Pros. O ex-prefeito garantiu ainda haver conversas "avançadas" com o Podemos, o DEM e o MDB. Ainda não há definição de vice na chapa de Lacerda nem de quem ocupará as duas vagas para a disputa pelo Senado.

Histórico

Pelo cenário de hoje das eleições em Minas Gerais, Lacerda estará pela primeira vez em campo político adversário dos dois principais apoiadores que teve em eleições passadas. Na primeira que disputou, em 2008, para a prefeitura da capital, foi lançado na briga pelo então governador do estado, Aécio Neves, e pelo prefeito da cidade à época, Fernando Pimentel. Lacerda venceu a disputa. Na reeleição, que também venceu, contou com o apoio apenas de Aécio, já que o PT decidiu ter candidatura própria.

O PSDB de Aécio Neves, hoje, tem o também senador e ex-governador do estado Antonio Anastasia como candidato ao governo de Minas. Investigado no âmbito da Lava-Jato, Aécio anuncia nesta semana a que cargo pretende se candidatar nas eleições de 2018. Já Pimentel, que enfrenta baixo índice de aprovação no governo, sobretudo por conta do atraso no pagamento do funcionalismo, buscará a reeleição. O ex-prefeito afirmou não haver constrangimento algum no momento em que vive em relação a seus padrinhos e que o relacionamento com ambos é bom. "Minas Gerais não tem terceira via desde 1990. Isto está acontecendo. É um estado de grupos tradicionais fortes, que tiveram desgaste, mas que ainda são fortes. Dada esta circunstância, houve espaço para uma terceira via", disse o pré-candidato. 

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