ANDRE DUSEK/ESTADAO
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'Nossa capacidade de cortar na própria carne', afirma Nicolao Dino sobre prisão de procurador

Suspeito de negociar propina para vazar informações de investigações, procurador Ângelo Goulart foi preso na operação deflagrada nesta manhã pela PF

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 13h45

BRASÍLIA - O vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, comentou, em nota, a prisão do procurador da República Ângelo Goulart, na operação deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal. Goulart atuava também na Procuradoria Geral Eleitoral, na qual Dino é o responsável pelos trabalhos por delegação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. "A prisão do procurador reflete a nossa capacidade, enquanto instituição, de cortar na própria carne quando necessário, agindo prontamente no sentido de apurar atividades ilícitas, inclusive quando atribuídas a um membro do Ministério Público", afirmou Dino, em nota.

Ângelo Goulart é suspeito de negociar propina para vazar informações de investigações sobre a JBS. De acordo com a delação do acionista do grupo, Joesley Batista, o esquema envolveria o pagamento de R$ 50 mil mensais ao procurador, que atuava na força-tarefa da operação Greenfield, que apura crimes ligados à JBS.

Dino apontou, em nota, "indignação" com o envolvimento de Goulart em atividades ilícitas. Além da prisão, a Polícia Federal realizou busca e apreensão na estação de trabalho do procurador, no TSE, onde fica sediada a Procuradoria-Geral Eleitoral. A medida foi acompanhada nesta manhã por Dino e pela subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, assinou nesta quinta-feira exoneração de Ângelo Goulart da função eleitoral e revogou a designação do procurador para atuar na Força-Tarefa da Greenfield. Janot afirmou em nota a seus pares que a prisão do procurador da República "tem gosto amargo" para a instituição.

Dino é um dos candidatos à sucessão de Janot, que deixará o cargo em setembro. Ele tem o apoio nos bastidores do atual procurador-geral da República. 

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