Nossa Caixa desmente depoimento de ex-secretário de Alckmin

O presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro, rebateu ontem (13) a acusação do ex-gerente de Marketing Jaime de Castro Júnior, de que tivesse conhecimento sobre a prestação de serviços de publicidade ao banco pelas agências Fulljazz Propaganda e Collucci Associados, sem contratos, por mais de um ano. Ao negar o teor do depoimento prestado por Castro Júnior ao Ministério Público, na quarta-feira, Monteiro contradisse o ex-secretário de Comunicação do governo Geraldo Alckmin, Roger Ferreira.Ferreira demitiu-se do cargo depois de reveladas suspeitas de que a publicidade do banco era usada como moeda em troca do apoio de deputados estaduais nas votações da Assembléia Legislativa. O caso é objeto de investigação da Promotoria. Por meio de nota divulgada na quarta-feira, pouco depois do depoimento de Castro Júnior, que o apontou como responsável pelo esquema de favorecimento, Ferreira atribuiu à Nossa Caixa a "inteira responsabilidade" sobre suas ações de comunicação: "Como empresa cotada na Bolsa de Valores, a Nossa Caixa não tem nenhuma subordinação, formal ou informal, no que se refere à comunicação, a nenhuma instância ou pessoa exterior à empresa."De acordo com Monteiro, o decreto 43.834, de 08/02/1999, determina que todas as ações de comunicação do banco sejam informadas à Secretaria de Comunicação do governo. Ele evitou comentar as declarações de Ferreira, mas quaisquer campanhas deveriam ser apresentadas à secretaria, numa operação direta entre a gerência de marketing do banco e o governo estadual."Reafirmo o que disse ontem (quarta-feira) na nota", limitou-se a comentar o ex-secretário sobre as declarações do presidente da Nossa Caixa.Carlos Eduardo Monteiro revelou que o Banco Central solicitou, há cerca de duas semanas, cópia da auditoria interna da Nossa Caixa que resultou na demissão de Castro Júnior. O pedido causou estranheza na instituição, foco hoje de desgaste à candidatura presidencial do ex-governador Alckmin (PSDB)."Assim que eu soube da inexistência dos contratos (após reunião com Castro Júnior no dia 27 de junho de 2005), suspendi os pagamentos, afastei o gerente de marketing, abri a sindicância, comuniquei as agências e determinei a abertura de licitação", afirmou Monteiro, exibindo depoimento anterior de Castro Júnior à auditoria interna. Ele negou que tenha tentado realizar um contrato retroativo para solucionar o problema.

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