Nos TRFs, 91% para folha e 1% para informática

Além de terem se acelerado nos últimos anos, os gastos do Judiciário com pessoal abocanham a imensa maioria de seu orçamento. Na Justiça Federal, por exemplo, 90,9% do total de gastos é consumido no pagamento de servidores e pensionistas. Os restantes 9,1% são despendidos em bens e serviços. Apenas 1,1% da despesa total é aplicado em informática.Os dados fazem parte da pesquisa Justiça em Números, divulgada recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).No Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), a concentração é ainda maior - 95% dos gastos correspondem à folha de pessoal.É também na 2.ª Região o maior custo da Justiça por habitante - R$ 48,94, contra apenas R$ 18,46 na 1.ª Região, que engloba Minas Gerais e outros 13 Estados do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste do País.Flávio Pascarelli, presidente em exercício da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), vê relação entre as altas taxas de congestionamento de processos na Justiça e o baixo gasto proporcional dos tribunais com informática. "A informatização chegou muito tarde ao Judiciário", afirmou o desembargador, que atua no Amazonas. Já o presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Fernando Mattos, não vê como problema maior o baixo gasto com informática. "Em média, há até mais de um computador por servidor", afirmou. Ele lamentou que a publicação do CNJ não tenha mostrado "quanto cada magistrado trabalha". "A média por juiz é muito alta, são três ou quatro sentenças por dia."

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