'Nós temos que estatizar o estado brasileiro', afirma Serra na sabatina

Tucano disse que, durante governo Lula, estado brasileiro foi 'apropriado' por partidos e sindicatos

Carol Pires / BRASÍLIA, estadão.com.br

01 Julho 2010 | 14h05

No ataque. Ao longo da sabatina da CNA, tucano fez várias críticas ao MST

 

BRASÍLIA - Sem adversários presentes à sabatina Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o presidenciável José Serra (PSDB) usou o tempo concedido a ele para fazer considerações finais para criticar o governo Lula e defendeu que é preciso "estatizar o estado".

 

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"Nós temos que estatizar o estado brasileiro. Estatizar as agências reguladoras. Porque o estado brasileiro e as agências foram apropriados pelo setor privado - pelos partidos, sindicatos. O caso das agências é típico", disse o candidato.

 

Serra disse que o atual governo loteou o governo com indicações políticas e citou como exemplo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os Correios. Sem citar nomes, relatou o caso de um político que ficou sem mandato na última eleição e virou diretor da Anvisa. "Agora vai se candidatar, saiu da Anvisa. Virou uma parada de ônibus", ironizou, em referência ao candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, que deixou a agência para disputar a eleição de outubro.

 

Ao longo da sabatina na CNA, José Serra fez várias críticas ao Movimento dos Sem-Terra, condenou invasões a propriedades privadas e o repasse de dinheiro público para a entidade. "O MST é um movimento que se diz de reforma agrária quando na verdade usa a ideia da reforma agrária para uma mudança de natureza revolucionaria socialista no Brasil", disse, mais cedo.

 

"Tem gente que veste o boné numa hora, depois guarda na gaveta. Usa o boné de manhã, guarda à tarde, uma hora fala que o juro está muito alto tem que abaixar, depois fala que está bom. Depende do público. Eu não tenho essa característica. Numa campanha eu acho muito importante que isso seja debatido, principalmente num palco como este aqui", afirmou, nas considerações finais. Recentemente, Dilma Rousseff (PT), candidata do presidente Lula à presidência, condenou as invasões do MST.

 

Além de criticar o movimento, que é fortemente condenado pela CNA, Serra também evitou entrar na polêmica da briga entre ambientalistas e os produtores rurais. Foi pedido a ele que elencasse em ordem de prioridade os conceitos de: produção agrícola; riqueza nacional; preservação na natureza; defesa da propriedade; e bem estar da sociedade. "Em nenhuma ordem. Em que ordem você coloca coração, estômago, rins, fígado. Se você descobrir como viver sem nenhum deles...", desconversou.

 

Em outro momento, quando teve que responder como mediaria posições radicais entre os ambientalistas e o setor agropecuário, fez piada e também se esquivou. "A Marina tinha razão, que queria as perguntas antes". Marina Silva, candidata do PV, recusou o convite para participar da sabatina da CNA porque não recebeu as perguntas previamente e disse temer que o debate não fosse isento. A CNA é presidida pela senadora de oposição Kátia Abreu (DEM-TO).

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