''''Nós precisamos é fazer avançar nossas idéias''''

As palavras firmes de Dulcilene Santana da Silva, de 35 anos, têm o apelo de uma mulher que finalmente ganhou voz. "Minha voz é minha. Eu tenho o direito de mostrar minhas idéias. Eu quero fazer a diferença", afirma.Dulcilene, ou Titi, como é conhecida, mora no Jardim Santa Fé, em Parelheiros, zona sul de São Paulo. Nasceu e cresceu no bairro. Aos 17 anos, casou-se. Hoje, com três filhos e cursando Enfermagem, ela exalta o seu principal agente de transformação: a construção de sua consciência política. "Meu objetivo era ter filhos, ser doméstica ou professora", conta. "Eu me escondia e demorei a aprender que mulher não precisa disso. O que nós precisamos é fazer avançar nossas idéias."O momento de Dulcilene impor sua voz chegou após um período de depressão. Com a morte da mãe e a saída dos filhos de casa, não lhe restou opção em um mercado de trabalho que exigia experiência. Quando entrou no Centro de Cidadania da Mulher de Parelheiros, há dois anos, e recebeu apoio terapêutico, a situação melhorou. "Conheci gente que só votava no candidato que o marido ia votar. Eu, como cidadã, tirei o título de eleitor aos 17 anos, mas votava para quê? A mulher pode e precisa saber decidir", afirma. Hoje, Dulcilene levanta a bandeira da defesa do bairro e de seus direitos. "Quando o José Serra veio a Parelheiros, fiquei longe. Esses dias o Kassab esteve aqui e fiz questão de falar com ele. E, se o Lula viesse, puxava uma cadeira para bater um papo", diz. "Nós somos um poder."

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